Acórdãos Recentes
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: FRANCISCA MENDES
TRANSMISSÃO DE ESTABELECIMENTO
EQUIPAMENTOS
VIGILÂNCIA PRIVADA
Em virtude do trabalhador exercer actividade de vigilância em unidade própria, com identidade, e uma vez que parte do equipamento foi retomado pela empresa adjudicatária, dever-se-á concluir que ocorreu transmissão parcial do estabelecimento, nos termos previstos no art.º 285º do CT. (Elaborado pela relatora)
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: MANUELA FIALHO
SINDICATO
LEGITIMIDADE
CONCURSO DE INGRESSO
PROCESSO DE BOLONHA
1 – A legitimidade processual apura-se com abstração da efetiva titularidade do direito. 2 – Comportando a ordem jurídica nacional licenciaturas obtidas antes e depois do Processo de Bolonha, e tendo sido feita uma clara opção política pela reorganização dos cursos superiores, não é válido ou plausível distinguir categorias de licenciados pelo simples facto de uns terem obtido o respetivo grau antes ou depois daquele Processo. 3 – Essa revela-se uma distinção desprovida de justificação razoáve…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: ANA PAULA GRANDVAUX
CONTRADIÇÃO INSANÁVEL ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A DECISÃO FINAL
I–A contradição insanável da fundamentação ou entre a fundamentação e a decisão, prevista no nº 2 al b) do artº 410º do C.P.P apenas se verificará, quando analisada a matéria de facto, se chegue a conclusões irredutíveis entre si e que não possam ser ultrapassadas, ou seja quando se dá por provado e como não provado o mesmo facto, quando se afirma e se nega a mesma coisa, ao mesmo tempo, ou quando simultaneamente se dão como provados factos contraditórios ou quando a contradição ocorre entre a…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: MARIA DA GRAÇA SANTOS SILVA
ABERTURA DE AUDIÊNCIA
DECISÃO SUMÁRIA
Decidida a improcedência de um recurso sumariamente, não há lugar à abertura de audiência porque é manifestamente desnecessária para a boa decisão da causa. Sustentando o colectivo a decisão sumária, continua a verificar-se a inutilidade da audiência. O nosso direito processual penal adoptou, em matéria de recursos, a orientação de que estes se regem pelo princípio do dispositivo, isto é, são as partes que dispõem do direito de impugnar, ou não, as decisões. Sendo a manifestação de uma dis…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: LUÍS FILIPE PIRES DE SOUSA
EXECUÇÃO BASEADA EM INJUNÇÃO
DEDUÇÃO DE EMBARGOS
ÓNUS DE CONCENTRAÇÃO DA DEFESA
PRETERIÇÃO DE TRIBUNAL ARBITRAL
CONHECIMENTO OFICIOSO DA INCOMPETÊNCIA
I.– Se é certo que os embargos são meio idóneo para o embargante invocar a invalidade do título executivo por ter sido aposta a fórmula executória na sede injuntiva, quando não é de ter por efetuada a notificação do requerido para se opor à injunção, não menos evidente é que a petição de embargos, apesar de ter formalmente a estrutura e conteúdo de uma petição da ação declarativa, consubstancia no plano material uma reação à pretensão executiva, sendo substancialmente uma contestação. II.–Ne…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: LUÍS FILIPE PIRES DE SOUSA
CONTRATO DE MÚTUO BANCÁRIO
PRESTAÇÕES MENSAIS E SUCESSIVAS
PRESCRIÇÃO
PRAZO DE 5 ANOS
CONSTITUCIONALIDADE
I.–Consoante jurisprudência consolidada do STJ, prescrevem no prazo de 5 anos, nos termos da al. e), do art. 310º do Código Civil, as obrigações decorrentes de um contrato de mútuo bancário, desdobradas em quotas de amortização do capital mutuado ao devedor, com prestações mensais e sucessivas, de valor predeterminado, englobando os juros devidos, sendo que a circunstância de o direito de crédito se encontrar vencido na totalidade não altera o dito enquadramento em termos da prescrição. II.–A…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ANA RODRIGUES DA SILVA
EXECUÇÃO
REQUERIMENTO EXECUTIVO
SANÇÃO PECUNIÁRIA COMPULSÓRIA
LIQUIDAÇÃO PELO AGENTE DE EXECUÇÃO
NOTA DISCRIMINATIVA
1.–A sanção pecuniária compulsória legal prevista no nº 4 do art. 829-A do CC é automática e é devida desde o trânsito em julgado da sentença de condenação; 2.–Não necessita de qualquer determinação judicial de condenação para ser atendida, estando o respectivo montante fixado pelo legislador (5% ao ano sobre a obrigação pecuniária em dívida); 3.–Mesmo sem ser liquidada e requerida no requerimento executivo, esta sanção deve ser liquidada pelo agente de execução nos termos do art. 716º, nº…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: MARIA DO ROSÁRIO GONÇALVES
INSOLVÊNCIA CULPOSA
TERCEIRO
BENEFÍCIO
USO E FRUIÇÃO
PRESTAÇÃO CORRESPONDENTE
 1.O proveito do terceiro exigido na al. d) do nº. 2 do art. 186º do CIRE é compaginável com todas as situações em que os bens do insolvente são afectados ao terceiro, mas também quando, independentemente disso, é consentido a este que use, goze e frua os bens, que deles retire as respectivas utilidades em benefício próprio. 2. Só há que falar em proveito quando o acto de disposição se traduz na outorga de um benefício sem uma justa ou legítima correspondência prestacional.
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ISABEL FONSECA
VERIFICAÇÃO E GRADUAÇÃO DE CRÉDITOS
RECURSO
PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE
TRÂNSITO EM JULGADO
Proferida sentença de verificação e graduação de créditos no processo de insolvência, não se verificando qualquer das hipóteses contempladas no art. 634.º do CPC, aplicando-se o princípio da personalidade, os credores que não recorreram dessa decisão ficam excluídos do âmbito do recurso, não sendo afetados pela decisão do tribunal superior; quanto a estes, a sentença transita imediatamente, operando-se o caso julgado nos termos do art. 628.º do CPC.
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: GABRIELA DE FÁTIMA MARQUES
ACÇÃO DE DESPEJO
LEGITIMIDADE
FALTA DE PAGAMENTO DA RENDA
INDEMNIZAÇÃO
I. Sendo a acção de despejo de carácter pessoal ou obrigacional, e não real, não tem o autor, para assegurar a sua legitimidade, que demonstrar que o arrendado lhe pertence, mas antes que é senhorio e que o réu é arrendatário do locado, bastando para tanto a junção da certidão predial em que figura como titular, bem como a escritura de venda a terceiro e a situação registal do locado, à data, de onde resulta o registo a favor desse terceiro com a transmissão efectuada pela Autora, sendo de apl…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: PEDRO MARTINS
CRÉDITO SOB CONDIÇÃO
– Um credor sob condição suspensiva que ainda não se verificou não pode reclamar um crédito na fase da reclamação de créditos de uma execução alheia, tal como não poderia requerer a execução do seu crédito (artigos 778/1-2, 713 e 715/1-2, todos do CPC).
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ADEODATO BROTAS
RECURSO SUBORDINADO
AMPLIAÇÃO DO ÂMBITO DO RECURSO
CONHECIMENTO DO MÉRITO
SANEADOR-SENTENÇA
1-Se o tribunal recorrido julgou improcedente a excepção de prescrição do direito dos autores, ao réu que arguiu essa excepção peremptória e que discorda daquela decisão é facultado: (i) ou interpor recurso independente; (ii) ou, interpor recurso subordinado. 2-Tendo optado por interpor ampliação do âmbito do recurso, não pode esta pretendida ampliação do objecto do recurso ser convolada para recurso subordinado, visto que são diferentes os objectivos que se pretendem alcançar com um e com out…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: MANUEL RODRIGUES
SERVIÇOS JURÍDICOS
PROFISSÃO LIBERAL
PRESCRIÇÃO PRESUNTIVA
I - As prescrições presuntivas de que tratam os artigos 312.º a 317.º do Cód. Civil, fundam-se na presunção de cumprimento, ou seja, apenas têm por efeito fazer presumir o cumprimento da obrigação respectiva pelo decurso de um certo prazo, não conferindo ao devedor, como sucede com a prescrição ordinária, a faculdade de recusar a prestação ou de se opor ao exercício do direito prescrito, visto não ser extintiva de direitos. II – Tanto da letra, como do espírito do artigo 317.º do Cód. Civil re…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO SANTOS
CONTRATO DE CONCESSÃO DE CRÉDITO
CONTA CORRENTE
PRESTAÇÕES
RESOLUÇÃO PELO MUTUANTE
PRAZO DE PRESCRIÇÃO
4.1.  - Prescrevem no prazo de 5 anos, por aplicação do disposto na alínea e), do art. 310º, do CC, as obrigações decorrentes de um contrato de concessão de crédito em conta corrente, desdobradas em prestações de amortização do capital mutuado ao devedor, com prestações mensais e sucessivas, de valor predeterminado, englobando os juros devidos. 4.2. - A circunstância de o mutuante, ao abrigo de cláusula inserta no contrato referido em 4.1., haver exercido o direito potestativo de resolução , e…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: VERA ANTUNES
LEI DO CONTRATO DE SEGURO (LCS)
PRESTAÇÃO DE VALOR DETERMINADO
CONVENÇÃO EM CONTRÁRIO
SUB-ROGAÇÃO
I – O caso julgado constitui uma excepção dilatória, de conhecimento oficioso, a qual obsta a que o tribunal conheça do mérito da causa e dá lugar à absolvição da instância ou à remessa do processo para outro tribunal, devendo ser conhecida em sede de despacho saneador. II - Resulta da Lei que se verifica esta excepção de caso julgado quando nas acções em confronto existem cumulativamente os três requisitos previstos pelo art.º 581º do Código de Processo Civil: a identidade de sujeitos, a iden…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: VERA SOTTOMAYOR
ACIDENTE DE TRABALHO
REVISÃO
JUNTA MÉDICA
IPATH
I - A fixação de uma pensão, como consequência de determinada incapacidade para reparação de lesão ou doença sofrida pelo trabalhador em acidente de trabalho, não é definitiva, podendo ser assim revista e alterada – art.ºs 70 da NLAT e 145.º do CPT. desde que se prove a modificação da capacidade de ganho do sinistrado proveniente do agravamento das lesões sofridas. II- Os factos que estão cobertos pelo caso julgado não podem ser alterados por via do incidente de revisão de incapacidade. III -…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: MARIA LEONOR CHAVES DOS SANTOS BARROSO
PROCESSO DE ACIDENTE DE TRABALHO
FORMAS DA FASE CONTENCIOSA
I - No processo de acidente de trabalho, a redução da fase contenciosa à sua tramitação mais simples, com mera realização de perícia por junta médica, seguida de decisão sintética, só tem lugar quando a única questão controvertida seja a fixação da incapacidade para o trabalho. II - Não havendo acordo quanto a outras questões, designadamente quanto à ocorrência de lesão e nexo de causalidade entre o evento e a lesão/sequela e incapacidade para o trabalho, a fase contenciosa não pode iniciar-s…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ALDA MARTINS
TRIBUNAL DO TRABALHO
COMPETÊNCIA MATERIAL
CONTRATO DE TRABALHO
CONTRATO DE TRABALHO EM FUNÇÕES PÚBLICAS
Invocando o autor uma relação de trabalho regulada pelo regime do Código do Trabalho e não pela Lei Geral do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, é competente para conhecer da acção respectiva o tribunal do trabalho e não o tribunal administrativo, ainda que o réu seja uma pessoa colectiva de direito público. Alda Martins
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: MARIA LEONOR CHAVES DOS SANTOS BARROSO
CONTRA-ORDENAÇÃO LABORAL
RECURSO EXCEPCIONAL PARA A RELAÇÃO
I - Sendo aplicada uma coima igual/inferior a 25uc desacompanhada de condenação em sanção acessória, no regime das contra-ordenações laborais não é admissível recurso, excepto se, sob requerimento do arguido ou do Ministério Público, se afigure que tal é manifestamente necessário à melhoria da aplicação do direito ou à promoção da uniformidade da jurisprudência – 49º/2, RPCOLSS. II - A “melhoria da aplicação do direito” pressupõe um erro de direito extremamente grosseiro ou calamitoso. A “pro…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ANTERO VEIGA
AUTO DE NOTÍCIA
DILIGÊNCIA DE INSTRUÇÃO
ERRO SOBRE A ILICITUDE
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
PRAZO DE INSTRUÇÃO
NULIDADE
TAXA DE JUSTIÇA
O auto de notícia reporta-se a infração(ões) que o autuante tenha pessoalmente constatado, seja por perceção direta no momento da ocorrência, seja por perceção mediata mediante verificação documental ou outra. O artigo 16.º do RPACOLSS não pretende limitar o agente autuante quanto aos elementos que fundam as suas perceções, visando apenas os atos posteriores do procedimento. Considerações jurídicas interpretativas sobre elementos a que o autuante teve acesso não inquinam o auto. O valor proba…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 17 Novembro 2021
Relator: MARIA DA GRAÇA SANTOS SILVA
PRÉDIO DEVOLUTO
INTRODUÇÃO EM LOCAL VEDADO AO PÚBLICO
O facto de um prédio estar devoluto não obsta à tipicidade da conduta de quem o ocupa, que comete o crime de introdução em local vedado ao público. O bem jurídico tutelado é a intimidade do legítimo detentor da construção, independentemente do fim a que ela se possa destinar. A acção típica pode revestir a modalidade da entrada ou da permanência, desde que ultrapassada uma barreira física ou um espaço fisicamente delimitado, ainda que por forma descontínua desde que essa limitação mantenha o …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 17 Novembro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
PEDIDO CIVIL EMERGENTE DA PRÁTICA DE CRIME
REMESSA DAS PARTES PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
1. O juiz só poderá remeter as partes de pedido cível enxertado no processo penal para os tribunais cíveis, nos termos previstos no artigo 82.º, § 3.º CPP, se razões poderosas do julgamento da causa cível o impuserem ou verificando-se circunstância que possa retardar intoleravelmente o julgamento da causa penal. 2. Na ponderação a efetuar o juiz não poderá deixar de equacionar os prejuízos que de tal remessa poderão advir para as vítimas do crime, nomeadamente o desperdício de tempo e de meios…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO FIGUEIREDO DE ALMEIDA
ARROLAMENTO
PERICULUM IN MORA
1) O arrolamento consiste na descrição, avaliação e depósito de bens litigiosos e tem por fim evitar o extravio ou a dissipação dos bens; 2) A situação de periculum in mora no arrolamento, deve ser perspetivado objetivamente, e apresentar-se com um fundamento real que não corresponda a uma mera fantasia do requerente.
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: MARIA DOS ANJOS NOGUEIRA
DANO BIOLÓGICO
VALOR INDEMNIZATÓRIO
EQUIDADE
DANOS NÃO PATRIMONIAIS
I – O dano biológico, porque incidente sobre o valor humano, em toda a sua dimensão, em que o bem saúde é objecto de um autónomo direito básico absoluto, deve ser reparado mesmo que a afectação da pessoa do ponto de vista funcional não se traduza em perda efectiva do rendimento do trabalho. II - Nos casos, em que não há diminuição do estatuto remuneratório profissional, a perda relevante de capacidades funcionais – mesmo que não imediata e totalmente reflectida no valor dos rendimentos pecuni…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ANA CRISTINA DUARTE
IMPUGNAÇÃO DA MATÉRIA DE FACTO
ÓNUS
DECLARAÇÕES DE PARTE
INTERMEDIÁRIO FINANCEIRO
CADUCIDADE
PRESCRIÇÃO
VALOR DA INDEMNIZAÇÃO
1 - O artigo 640.º, n.º 1 do CPC exige que se aponte de forma clara e inequívoca os pontos da matéria de facto dos quais se discorda, as razões da discordância e a decisão que deve ser proferida sobre cada uma das questões de facto impugnadas. 2 - Não é admissível uma impugnação genérica e global da matéria de facto julgada em primeira instância, estando vedado ao apelante, pura e simplesmente, discordar dos factos provados, entendendo que devem transitar para os factos não provados e, ao con…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: JOSÉ CRAVO
EMBARGOS DE EXECUTADO
NULIDADE DE SENTENÇA
COMPENSAÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE
LEI Nº. 4-A/2020 DE 6/4
LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ
I – O juiz deve resolver todas as questões que as partes tenham submetido à sua apreciação, excetuadas aquelas cuja decisão esteja prejudicada pela solução dada a outras (cfr. art. 608º/2 do CPC). II – Em sede de oposição à execução, a compensação só constitui fundamento válido desde que se alicerce em documento revestido de força executiva. III – De harmonia com o disposto no art. 751º/4, a) do CPC, o executado pode requerer, no prazo da oposição à penhora, a substituição dos bens penhorados…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ALCIDES RODRIGUES
CONTRATO DE SEGURO DE GRUPO
CONTRIBUTIVO
RAMO VIDA
CONTRATO DE ADESÃO
CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS
DECLARAÇÃO INICIAL DE RISCO
DEVER DE INFORMAÇÃO E ESCLARECIMENTO
BOA FÉ CONTRATUAL
I - O contrato de seguro de grupo – com definição legal no art. 76º do Dec. Lei n.º 72/2008, de 16/04 (RJCS) – apresenta uma particular estruturação na sua formação por se estabelecer em dois momentos distintos: (i) num primeiro momento, a fase estática – de celebração do contrato entre a seguradora e o tomador do seguro; e (ii) num segundo momento, a fase dinâmica – em que o tomador do seguro promove a adesão ao contrato junto dos membros do grupo, constituindo-se uma relação triangular entr…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: RAQUEL BATISTA TAVARES
RATIFICAÇÃO DE EMBARGO DE OBRA NOVA
IMPUGNAÇÃO DA MATÉRIA DE FACTO
ÓNUS
FACTOS JURÍDICOS
FACTOS CONCLUSIVOS
BALDIOS
LEGITIMIDADE
LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ
I - Não se deve proceder à reapreciação da matéria de facto quando a alteração nos termos pretendidos pelos Recorrentes, tendo em conta as específicas circunstâncias em causa, não tenha qualquer relevância jurídica, sob pena de, assim não sendo, se estarem a praticar atos inúteis, que a lei não permite. II - Para que o embargo judicial (e a ratificação do embargo extrajudicial) de obra nova) possa ser decretado é necessária a verificação cumulativa dos seguintes requisitos: execução de uma ob…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ALEXANDRA ROLIM MENDES
AÇÕES DE VALOR NÃO SUPERIOR A METADE DA ALÇADA DA RELAÇÃO.
AUDIÊNCIA PRÉVIA
ALTERAÇÃO DO REQUERIMENTO PROBATÓRIO
1 - Nas ações de valor não superior a metade da alçada do tribunal da Relação, não é obrigatório convocar a audiência prévia, cabendo ao juiz titular do processo, fazê-lo ou não, consoante o considere adequado. 2 - Assim, se tal audiência não tiver sido convocada, optando o juiz logo por alguma das hipóteses previstas nas al. f) ou g), as partes não podem proceder a alterações nos requerimentos probatórios que tenham apresentado, sem prejuízo do disposto no nº 2 do art. 598º e nº 3, ou do ar…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 10 Novembro 2021
Relator: PAULA SANTOS
SECTOR EMPRESARIAL DO ESTADO
FUNDO DE PENSÕES
CONTRIBUIÇÃO EXTRAORDINÁRIA DE SOLIDARIEDADE
ORÇAMENTO DO ESTADO
Sendo a (…) uma empresa pertencente ao sector empresarial do Estado, financiada e tutelada pelo próprio, e tendo as Leis do Orçamento do Estado referentes aos anos  2011 a 2016, estabelecido normas, de carácter excepcional e imperativo, destinadas à redução da despesa, entre elas a contribuição extraordinária de solidariedade, que incide sobre as pensões, e que visa ser suportada no momento do pagamento e pelo beneficiário pensionista, não é legitimo admitir a hipótese de o CCC, do qual esta é…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
ALTERAÇÃO DA MEDIDA DE COAÇÃO
VIOLAÇÃO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
RECUSA DA FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
Uma coisa é a violação das obrigações impostas propriamente ditas (a obrigação de não permanecer nas imediações da residência e do local de trabalho da ofendida e em qualquer outro local por esta frequentado, e a obrigação de não contactar por qualquer forma com a ofendida), outra coisa é a recusa da fiscalização do cumprimento de tais obrigações mediante sistema de vigilância electrónica, e, estando em causa nos autos o incumprimento desta última, tal não é de molde a justificar, por si só (o…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: ISABEL DUARTE
TRÂNSITO EM JULGADO
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CRIMINAL
A noção de trânsito em julgado mostra-se contida no artigo 628° do Código de Processo Civil (art.º 677.º CPC 1961) aplicável ex vi do artigo 4° do Código de Processo Penal, segundo o qual "a decisão considera-se passada ou transitada em julgado, logo que não seja susceptível de recurso ordinário, ou de reclamação nos termos dos artigos 668° e 669°". Transitada em julgado a decisão que não admita o recurso para o Tribunal Constitucional ou lhe negue provimento, transita também a decisão recorri…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: FÁTIMA FURTADO
CRIME DE BURLA
ILÍCITO CIVIL
DOLO IN CONTRAHENDO
I. São elementos típicos do crime de burla simples: - A «astúcia» empregue pelo agente; - O «erro ou engano» da vítima devido ao emprego da astúcia; - A «prática de atos» pela vítima em consequência do erro ou engano em que foi induzida; - O «prejuízo patrimonial» da vítima ou de terceiro, resultante da prática dos referidos atos; - Nexo de causalidade adequada entre os quatro elementos referidos nas quatro alíneas antecedentes, através de sucessivas relações de causa e efeito, ou seja, que d…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: TERESA BALTAZAR
PERDA DE VANTAGENS DO CRIME
CARÁCTER OBRIGATÓRIO DA DECLARAÇÃO DE PERDA DE VANTAGENS
I - O instituto da perda de vantagens decorrentes do facto ilícito típico está construído como sendo uma providência destinada a impedir a manutenção de situações patrimoniais antijurídicas, satisfazendo assim finalidades de prevenção especial e geral, dando-lhe, por conseguinte, a feição de um expediente semelhante ou análogo à medida de segurança. II- Verificados os necessários pressupostos legais, a perda da vantagem decorrente da prática do crime terá de ser decretada sempre, e também se…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO TEIXEIRA
REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA PENA
AUDIÇÃO DO CONDENADO
IMPOSSIBILIDADE DE AUDIÇÃO POR RAZÕES IMPUTÁVEIS AO PRÓPRIO CONDENADO
I - Como claramente se extrai da conjugação dos Artºs. 32º, nº 5, da Constituição da República Portuguesa, e 61º, nº 1, al. b), do C.P.Penal, o despacho de revogação da suspensão da execução da pena de prisão sujeita a regime de prova é em regra precedido obrigatoriamente de audição pessoal e presencial do arguido, tanto mais que Artº. 495º, nº 2, do C.P.Penal, consigna expressamente que o condenado seja ouvido “na presença do técnico que apoia e fiscaliza o cumprimento das condições da suspe…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: TERESA COIMBRA
REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA PENA
CRIME DE BURLA
REPARAÇÃO DO MAL DO CRIME
AVALIAÇÃO DAS RAZÕES DO INCUMPRIMENTO
1. A um arguido condenado pela prática de um crime de burla numa pena de prisão suspensa com a condição de devolver aos burlados o dinheiro com que ilicitamente se locupletou, deve exigir-se que sinta como obrigação primeira o cumprimento da condição imposta. 2. Se, findo o prazo concedido para o efeito e sucessivamente prorrogado por força de justificações apresentadas, se constata que a quantia não foi devolvida e que as justificações carecem de seriedade, deve a suspensão ser revogada. 3. …
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: PAULO SERAFIM
FRAUDE FISCAL QUALIFICADA
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CRIMINAL
CASO JULGADO SOB CONDIÇÃO RESOLUTIVA
I – O disposto no nº3 do art. 21º do RGIT, que determina que o prazo de prescrição do procedimento criminal é reduzido ao prazo de caducidade do direito à liquidação da prestação tributária quando a infração depender daquela liquidação, é inaplicável ao crime de fraude fiscal (no caso, qualificado), porquanto a consumação deste tipo de ilícito não depende de qualquer ato de liquidação do imposto, uma vez que, sendo legalmente configurado como um crime de perigo, não exige a causação de prejuí…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
CRIME DE FURTO
CRIME DE NATUREZA SEMI-PÚBLICA
INEXISTÊNCIA DE QUEIXA
INADMISSIBILIDADE LEGAL DO PROCEDIMENTO
Apesar de ter havido uma intenção ilegítima de apropriação de coisa alheia e a execução de tal intento através da subtração da mesma, não se provaram os meios previstos no artº 210º do C. Penal para levar a cabo a subtração que são: a) a violência contra uma pessoa; b) a ameaça com perigo iminente para a vida ou a integridade física ou; c) pondo essa pessoa na impossibilidade de resistir, pelo que os factos não integram aquele crime, mas o de furto previsto no artº 203º nº 1 do C.Penal. Este …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
DECLARAÇÕES PARA MEMÓRIA FUTURA
ESTATUTO DA VÍTIMA E VÍTIMAS ESPECIALMENTE VULNERÁVEIS
I. A tutela dos interesses da vítima e da testemunha especialmente vulnerável no processo penal implica exceção ao regime regra da concentração da produção da prova na audiência. II. O seu depoimento deverá prestar-se o mais brevemente possível, sendo as declarações para memória futura o melhor instrumento para conjugar as finalidades processuais e evitar a vitimização secundária.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
REEXAME DOS PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA
No artigo 213.º CPP preconiza-se um direito de audição do arguido sobre a manutenção ou alteração dos pressupostos da prisão preventiva ou da obrigação de permanência na habitação, o qual não implica (ou não implica necessariamente) o direito de audiência – isto é do direito de este se pronunciar na presença do juiz.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOÃO AMARO
RELATÓRIO SOCIAL
TRABALHO A FAVOR DA COMUNIDADE
Não é nesta fase recursiva que o recorrente podia (e devia - se assim o considerasse seriamente -) discutir o conteúdo do “relatório social”. Na verdade, o recorrente teve pleno conhecimento do “relatório social” em questão, e teve, consequentemente, a oportunidade de sobre ele se pronunciar na audiência de discussão e julgamento, designadamente tendo tido, então sim, a oportunidade de requerer o que tivesse por conveniente a esse propósito, o que não fez. Por outras palavas: o “relatório soci…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO CIVIL
REMESSA PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
Na situação em apreço, o Tribunal a quo fundou o reenvio do conhecimento da acção cível enxertada na circunstância da tramitação do incidente de habilitação de herdeiros comprometer de forma intolerável o normal andamento do processo criminal, a descoberta da verdade material e o “restabelecimento da paz jurídica do arguido e da comunidade”. Ressalvado sempre o devido respeito por diferente entendimento, não acompanhamos o argumentário da decisão recorrida. Não só a habilitação de herdeiros se…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
ASSISTENTE
DESCRIÇÃO DOS FACTOS
A exigência da descrição dos factos no requerimento de abertura de instrução pelo assistente radica na circunstância de este, partindo de um despacho de arquivamento do inquérito, dever fixar o objeto do processo, dentro do qual se moverá a atividade do juiz de instrução a quem é vedado alterar os factos alegados, fora das exceções previstas no artigo 303º, nº 1, do Código de Processo Penal. O requerimento de instrução é a base factual dentro da qual se moverá o contraditório, o exercício do …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CASO JULGADO FORMAL
Se um despacho acolhe promoção do MP e ordenou a certificação do trânsito em julgado da sentença condenatória relativamente a um arguido, reconhecendo, implicitamente, esse mesmo trânsito em julgado, está precludida a hipótese de proferir nos mesmos autos despacho posterior, onde se afirma que a sentença ainda não transitou em julgado quanto ao mesmo arguido, por existência de caso julgado formal.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CRIME DE TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES
OPC COMPETENTE
MEDIDAS CAUTELARES
CONVERSA INFORMAL
I - Para se poderem equacionar as consequências processuais desvaliosas mencionadas na conclusão de recurso (nulidade) para a decisão subsequente sobre as medidas de coacção, deve estar inequivocamente estabelecido um nexo relacional e causal entre o conteúdo da “conversa informal” com um suspeito / arguido e o teor do respectivo depoimento, ou seja, que se leve expressamente em consideração tal depoimento. II – Se estivermos perante um fortemente indiciado crime de tráfico de estupefacientes,…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
ABERTURA DE INSTRUÇÃO
NOTIFICAÇÃO PARA DEBETE INSTRUTÓRIO
NULIDADE
IRREGULARIDADE
Nos presentes autos o Ministério Público imputou aos arguidos a prática do crime de tráfico de estupefacientes p. e p. pelo art.º 21.º do DL 15/93 de 22.01, sendo que o fez em autoria simples e individual, isto é, aos arguidos não foi imputada nem a co-autoria do crime nem a atuação em grupo. O arguido CL foi acusado em autoria material do crime de tráfico de estupefacientes, não requereu a instrução e a factualidade descrita na acusação não integra qualquer das situações previstas no artº 24º…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
NATUREZA URGENTE DO PROCESSO
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
TEMPESTIVIDADE
I – É incorrecto fazer alterar a natureza do processo (fazendo cessar a natureza urgente) meramente a partir da interpretação do requerimento para abertura da instrução e do seu recorte quanto aos crimes pelos quais se pretende a respectiva pronúncia, sem que exista qualquer decisão judicial que sancione tal entendimento. II - A ser admissível este entendimento, nestes casos, a tempestividade do requerimento para abertura da instrução nunca estaria assegurada à partida, dependendo de um eventu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 07 Outubro 2021
Relator: CARLOS MARINHO
DIREITO AO SEGREDO DO NEGÓCIO
INFORMAÇÃO CONFIDENCIAL
Enquanto intervenção processual que contém mera concretização do antes decidido e que constitui singelo acto previsto por normas adjectivas com vista a despoletar a instrução e o início do curso do prazo de pronúncia escrita sobre as questões relevantes e viabilizar a apresentação de requerimento de diligências complementares de prova que nada constitui ou define (para além da necessidade de instrução) – cf. arts. 24.º e 25.º do Regime Jurídico da Concorrência (RJC) – a nota de ilicitude não …
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 22 Setembro 2021
Relator: RUI TEIXEIRA
IMPUGNAÇÃO ALARGADA
–A impugnação alargada da matéria de facto faz recair sobre o recorrente o ónus de apontar, com referência à prova produzida, os elementos probatórios tidos como relevantes para que o Tribunal Superior altere a matéria de facto; –Tal ónus não se baste com a remissão genérica para os depoimentos de "A" ou "B" competindo ao recorrente indicar especificamente qual o momento do depoimento que reputa relevante e porque é que o é; –No fundo, o recorrente tem de, em sede recursal, recriar todos …