Acórdãos Recentes
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: ANA PAULA GRANDVAUX
CONTRADIÇÃO INSANÁVEL ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A DECISÃO FINAL
I–A contradição insanável da fundamentação ou entre a fundamentação e a decisão, prevista no nº 2 al b) do artº 410º do C.P.P apenas se verificará, quando analisada a matéria de facto, se chegue a conclusões irredutíveis entre si e que não possam ser ultrapassadas, ou seja quando se dá por provado e como não provado o mesmo facto, quando se afirma e se nega a mesma coisa, ao mesmo tempo, ou quando simultaneamente se dão como provados factos contraditórios ou quando a contradição ocorre entre a…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: MARIA DA GRAÇA SANTOS SILVA
ABERTURA DE AUDIÊNCIA
DECISÃO SUMÁRIA
Decidida a improcedência de um recurso sumariamente, não há lugar à abertura de audiência porque é manifestamente desnecessária para a boa decisão da causa. Sustentando o colectivo a decisão sumária, continua a verificar-se a inutilidade da audiência. O nosso direito processual penal adoptou, em matéria de recursos, a orientação de que estes se regem pelo princípio do dispositivo, isto é, são as partes que dispõem do direito de impugnar, ou não, as decisões. Sendo a manifestação de uma dis…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: MANUELA FIALHO
SINDICATO
LEGITIMIDADE
CONCURSO DE INGRESSO
PROCESSO DE BOLONHA
1 – A legitimidade processual apura-se com abstração da efetiva titularidade do direito. 2 – Comportando a ordem jurídica nacional licenciaturas obtidas antes e depois do Processo de Bolonha, e tendo sido feita uma clara opção política pela reorganização dos cursos superiores, não é válido ou plausível distinguir categorias de licenciados pelo simples facto de uns terem obtido o respetivo grau antes ou depois daquele Processo. 3 – Essa revela-se uma distinção desprovida de justificação razoáve…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 24 Novembro 2021
Relator: FRANCISCA MENDES
TRANSMISSÃO DE ESTABELECIMENTO
EQUIPAMENTOS
VIGILÂNCIA PRIVADA
Em virtude do trabalhador exercer actividade de vigilância em unidade própria, com identidade, e uma vez que parte do equipamento foi retomado pela empresa adjudicatária, dever-se-á concluir que ocorreu transmissão parcial do estabelecimento, nos termos previstos no art.º 285º do CT. (Elaborado pela relatora)
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: MÁRIO RODRIGUES DA SILVA
EXAME MÉDICO-LEGAL
ASSISTÊNCIA DE ASSESSOR TÉCNICO INDICADO PELA PARTE
A lei nº 45/2004, de 19 de agosto, não impede que uma parte, em processo civil, nomeie assessor técnico a fim de assistir a um exame médico legal.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO PIRES ROBALO
DOAÇÃO
ONERAÇÃO COM ENCARGOS
CLÁUSULA MODAL
ALTERAÇÕES
SUA NÃO APLICAÇÃO A BENEFICIÁRIO QUE AS NÃO RATIFICOU EM ESCRITURA PÚBLICA
I – Face ao disposto no art.º 945º do C. Civil verifica-se que a doação é um contrato ou negócio jurídico bilateral, que pressupõe duas vontades negociais, a “proposta de doação” e a “aceitação”, caducando a primeira se a segunda não ocorrer em vida do doador. II - O art.º 963.º do C.C. dispõe que “as doações podem ser oneradas com encargos”. Significa isso que na doação, tal como noutros negócios jurídicos que constituem liberalidades (cfr. art.º 2244º do mesmo código), as partes podem apôr…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: VÍTOR AMARAL
PRIVAÇÃO DO USO DE VEÍCULO AUTOMÓVEL
INDEMNIZAÇÃO
EQUIDADE
1. - Salvo quanto a matérias de conhecimento oficioso, os recursos destinam-se a reexaminar questões já anteriormente apreciadas no processo e não a produzir decisões ex novo. 2. - A equidade, como justiça do caso, mostra-se apta a temperar o rigor de certos resultados de pura subsunção jurídica, na procura da justa composição do litígio, fazendo apelo a dados de razoabilidade e equilíbrio, tal como de normalidade, proporção e adequação às circunstâncias concretas, sem cair no arbítrio. 3. - A…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: VÍTOR AMARAL
CONTRATO DE SEGURO
DECLARAÇÃO INICIAL DO RISCO
BOA FÉ
ÓNUS DE ALEGAÇÃO E DE PROVA
ANULAÇÃO DO CONTRATO
1. - O dever pré-contratual de declaração inicial do risco, a cargo do tomador do seguro ou segurado/aderente – previsto no art.º 24.º do RJCS, aprovado pelo Dec.Lei n.º 72/2008, de 16-04 (e anteriormente no art.º 429.º do CCom.) –, incide sobre todas as circunstâncias conhecidas do declarante (e só essas), desde que relevantes para a apreciação do risco. 2. - Cabe ao réu, defendendo-se, por via de exceção, mediante a invocação do incumprimento daquele dever e consequente invalidade (no caso, …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FERNANDO MONTEIRO
CITAÇÃO
PRESUNÇÃO ILIDIVEL
ÓNUS DE PROVA
I - Os artigos 233º, nº 4 e 238º, nº 1, do anterior Código de Processo Civil (com equivalentes nos atuais 225º, nº4 e 230º, nº1) estabelecem uma presunção ilidível, cumprindo ao citando demonstrar que a morada para onde foi enviada a carta não é a sua residência e que o seu não conhecimento se ficou a dever a facto que não lhe é imputável. II - A presunção é por natureza falível. A sua força persuasiva pode, por isso mesmo, ser afastada por simples contra prova. III - No caso, pelo conjunto de…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: LUÍS CRAVO
SUSPENSÃO DA INSTÂNCIA
CAUSA PREJUDICIAL
I – Nos termos e para os efeitos de decretamento da suspensão da instância por causa prejudicial, nos termos do art. 272º do n.C.P.Civil, entende-se como causa prejudicial aquela onde se discute e pretende apurar um facto ou situação que é elemento ou pressuposto da pretensão formulada na causa dependente, de tal forma que a resolução da questão que está a ser apreciada e discutida na causa prejudicial irá interferir e influenciar a causa dependente, destruindo ou modificando os fundamentos e…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FONTE RAMOS
PROVA POR DOCUMENTOS
DEVER DO JUIZ
1. A Relação só poderá/deverá alterar a decisão de facto se os factos tidos como assentes, a prova produzida ou um documento superveniente impuserem decisão diversa (art.º 662º, n.º 1, do CPC de 2013). 2. Os documentos não são factos, mas simples meios de prova dos factos alegados. 3. Em cumprimento do disposto no art.º 607º, n.ºs 3, 1ª parte e 4, do CPC, deverá o juiz indicar expressamente os factos provados pelos documentos, não bastando “dar como reproduzidos” os documentos ou realizar uma…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FONTE RAMOS
PENHORA
PRIVILÉGIO CREDITÓRIO
SUA CUMULAÇÃO PROCESSUAL
1. O credor reclamante por penhora posterior nos mesmos bens em execução própria, além da garantia dessa penhora, pode invocar o privilégio creditório que com ela se tornou operativo. 2. A penhora posterior concretiza a eficácia dos privilégios que se constituíram após a primeira penhora, atribuindo-lhe a lei especial relevância processual e substantiva (cf., v. g., art.ºs 733º, 788º, n.ºs 3 e 5 e 794º do CPC e 179º, n.º 1 do CPPT).
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ALBERTO RUÇO
PROCESSO TUTELAR CIVIL
PRINCÍPIO DO SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA
SUSPENSÃO DE CONTACTOS DO FILHO COM O PAI
AUDIÇÃO DO MENOR
I – Existindo acórdão do Tribunal da Relação, com recurso interposto para o Supremo Tribunal de Justiça, que imputa ao arguido factos que integram a autoria material de oito crimes de abuso sexual sobre a sua filha, com 4 anos de idade à data dos factos, tal factualidade pode ser levada em consideração num processo tutelar cível (Lei n.º 141/2015, de 08 de setembro), apesar do princípio da presunção de inocência do arguido consagrado no artigo 32.º da Constituição da República. II – Nesta situ…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ISABEL FONSECA
VERIFICAÇÃO E GRADUAÇÃO DE CRÉDITOS
RECURSO
PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE
TRÂNSITO EM JULGADO
Proferida sentença de verificação e graduação de créditos no processo de insolvência, não se verificando qualquer das hipóteses contempladas no art. 634.º do CPC, aplicando-se o princípio da personalidade, os credores que não recorreram dessa decisão ficam excluídos do âmbito do recurso, não sendo afetados pela decisão do tribunal superior; quanto a estes, a sentença transita imediatamente, operando-se o caso julgado nos termos do art. 628.º do CPC.
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ANA RODRIGUES DA SILVA
EXECUÇÃO
REQUERIMENTO EXECUTIVO
SANÇÃO PECUNIÁRIA COMPULSÓRIA
LIQUIDAÇÃO PELO AGENTE DE EXECUÇÃO
NOTA DISCRIMINATIVA
1.–A sanção pecuniária compulsória legal prevista no nº 4 do art. 829-A do CC é automática e é devida desde o trânsito em julgado da sentença de condenação; 2.–Não necessita de qualquer determinação judicial de condenação para ser atendida, estando o respectivo montante fixado pelo legislador (5% ao ano sobre a obrigação pecuniária em dívida); 3.–Mesmo sem ser liquidada e requerida no requerimento executivo, esta sanção deve ser liquidada pelo agente de execução nos termos do art. 716º, nº…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: MARIA DO ROSÁRIO GONÇALVES
INSOLVÊNCIA CULPOSA
TERCEIRO
BENEFÍCIO
USO E FRUIÇÃO
PRESTAÇÃO CORRESPONDENTE
 1.O proveito do terceiro exigido na al. d) do nº. 2 do art. 186º do CIRE é compaginável com todas as situações em que os bens do insolvente são afectados ao terceiro, mas também quando, independentemente disso, é consentido a este que use, goze e frua os bens, que deles retire as respectivas utilidades em benefício próprio. 2. Só há que falar em proveito quando o acto de disposição se traduz na outorga de um benefício sem uma justa ou legítima correspondência prestacional.
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: LUÍS FILIPE PIRES DE SOUSA
EXECUÇÃO BASEADA EM INJUNÇÃO
DEDUÇÃO DE EMBARGOS
ÓNUS DE CONCENTRAÇÃO DA DEFESA
PRETERIÇÃO DE TRIBUNAL ARBITRAL
CONHECIMENTO OFICIOSO DA INCOMPETÊNCIA
I.– Se é certo que os embargos são meio idóneo para o embargante invocar a invalidade do título executivo por ter sido aposta a fórmula executória na sede injuntiva, quando não é de ter por efetuada a notificação do requerido para se opor à injunção, não menos evidente é que a petição de embargos, apesar de ter formalmente a estrutura e conteúdo de uma petição da ação declarativa, consubstancia no plano material uma reação à pretensão executiva, sendo substancialmente uma contestação. II.–Ne…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
INSOLVÊNCIA
CAUSA DE PEDIR
CASO JULGADO
INDEFERIMENTO LIMINAR
EXONERAÇÃO DO PASSIVO RESTANTE
I) A causa de pedir do processo de insolvência corresponde, por regra, ao concreto passivo e activo que exista em determinado momento temporal e à impossibilidade de o activo do devedor lhe permitir cumprir o passivo que nesse momento se encontra vencido. II) Decretada a insolvência do devedor num determinado processo por si impulsionado, a existência de uma nova causa de pedir necessária à instauração pelo mesmo devedor de um segundo processo de insolvência exige que o devedor tivesse consegu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
CONTRATO DE SEGURO
ACIDENTE DE VIAÇÃO
ABANDONO DO LOCAL DO ACIDENTE
AUTORIDADE POLICIAL
SEGURO AUTOMÓVEL FACULTATIVO
EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA
Constando das condições gerais de um contrato de seguro facultativo de responsabilidade civil automóvel que o contrato também não garantirá a situação em que o condutor do veículo, voluntariamente e por sua iniciativa, abandone o local do acidente de viação antes da chegada da autoridade policial, quando esta tenha sido chamada por si ou por outra entidade, essa exclusão de responsabilidade só ocorre se a autoridade policial já tiver sido chamada no momento do abandono.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: EMÍDIO FRANCISCO SANTOS
PROCESSO ESPECIAL PARA ACORDO DE PAGAMENTO
ENCERRAMENTO DO PROCESSO NEGOCIAL
ENCERRAMENTO DO PROCESSO ESPECIAL
DESISTÊNCIA DO DEVEDOR DAS NEGOCIAÇÕES
PARECER DO ADMINISTRADOR JUDICIAL PROVISÓRIO
CONTRADITÓRIO DO DEVEDOR
APRESENTAÇÃO À INSOLVÊNCIA POR PARTE DO DEVEDOR
I) São realidades jurídicas distintas o encerramento do processo negocial em processo especial para acordo de pagamento, por um lado, e o encerramento do processo especial para acordo de pagamento, por outro lado. II) O processo negocial encerra-se quando o devedor ou a maioria dos credores legalmente prevista concluam antecipadamente não ser possível alcançar acordo; com o decurso do prazo das negociações; com a desistência das negociações, por parte do devedor, antes do decurso de tal prazo.…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: JOSÉ AVELINO GONÇALVES
EMBARGOS DE TERCEIRO
INSOLVÊNCIA
RESTITUIÇÃO E SEPARAÇÃO DE BENS APREENDIDOS PARA A MASSA INSOLVENTE
I) É legalmente inadmissível a dedução de embargos de terceiro como forma de reagir contra a apreensão de bens para a massa insolvente. II) Tal reacção deve fazer-se através da restituição e separação de bens apreendidos para a massa insolvente, a exercer por um dos mecanismos e nos prazos consagrados nos artigos 141.º, 144.º e 146.º do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresa (DL n.º 53/2004, de 18 de Março).
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: EMÍDIO FRANCISCO SANTOS
EXECUÇÃO ESPECÍFICA
NÃO CUMPRIMENTO
MORA
INCUMPRIMENTO DEFINITIVO
PRAZO
INTERPELAÇÃO
CITAÇÃO
I) Para efeitos de admissibilidade da execução específica é suficiente a mora no cumprimento da obrigação, não sendo necessária a conversão daquela em incumprimento definitivo. II) A parte cumpridora num contrato-promessa não pode obter através da execução específica um efeito jurídico que o promitente faltoso esteja impedido de produzir. III) Não pode considerar-se que não tenha prazo o contrato-promessa em que se clausulou que “… a escritura seria efectuada logo após estar toda a documentaçã…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: HELENA MARIA MELO
COVID-19
PRAZOS
SUSPENSÃO
CADUCIDADE
PRESCRIÇÃO
ACÇÕES NOMINATIVAS
TRANSMISSÃO
I) Os prazos de prescrição e de caducidade já iniciados ou em curso à data da entrada em vigor da Lei 4-B/2021 ou que viessem a iniciar-se posteriormente foram suspensos, só se retomando a partir da data em que viesse a ser declarado o termo da situação excepcional de resposta à pandemia da Covid-19. II) A suspensão referida em I) foi estabelecida em benefício das partes que, todavia, a ela podiam renunciar. III) A suspensão dos prazos de prescrição e de caducidade referida em I) não deve ser …
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: LUÍS FILIPE PIRES DE SOUSA
CONTRATO DE MÚTUO BANCÁRIO
PRESTAÇÕES MENSAIS E SUCESSIVAS
PRESCRIÇÃO
PRAZO DE 5 ANOS
CONSTITUCIONALIDADE
I.–Consoante jurisprudência consolidada do STJ, prescrevem no prazo de 5 anos, nos termos da al. e), do art. 310º do Código Civil, as obrigações decorrentes de um contrato de mútuo bancário, desdobradas em quotas de amortização do capital mutuado ao devedor, com prestações mensais e sucessivas, de valor predeterminado, englobando os juros devidos, sendo que a circunstância de o direito de crédito se encontrar vencido na totalidade não altera o dito enquadramento em termos da prescrição. II.–A…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: VERA ANTUNES
LEI DO CONTRATO DE SEGURO (LCS)
PRESTAÇÃO DE VALOR DETERMINADO
CONVENÇÃO EM CONTRÁRIO
SUB-ROGAÇÃO
I – O caso julgado constitui uma excepção dilatória, de conhecimento oficioso, a qual obsta a que o tribunal conheça do mérito da causa e dá lugar à absolvição da instância ou à remessa do processo para outro tribunal, devendo ser conhecida em sede de despacho saneador. II - Resulta da Lei que se verifica esta excepção de caso julgado quando nas acções em confronto existem cumulativamente os três requisitos previstos pelo art.º 581º do Código de Processo Civil: a identidade de sujeitos, a iden…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: PEDRO MARTINS
CRÉDITO SOB CONDIÇÃO
– Um credor sob condição suspensiva que ainda não se verificou não pode reclamar um crédito na fase da reclamação de créditos de uma execução alheia, tal como não poderia requerer a execução do seu crédito (artigos 778/1-2, 713 e 715/1-2, todos do CPC).
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ADEODATO BROTAS
RECURSO SUBORDINADO
AMPLIAÇÃO DO ÂMBITO DO RECURSO
CONHECIMENTO DO MÉRITO
SANEADOR-SENTENÇA
1-Se o tribunal recorrido julgou improcedente a excepção de prescrição do direito dos autores, ao réu que arguiu essa excepção peremptória e que discorda daquela decisão é facultado: (i) ou interpor recurso independente; (ii) ou, interpor recurso subordinado. 2-Tendo optado por interpor ampliação do âmbito do recurso, não pode esta pretendida ampliação do objecto do recurso ser convolada para recurso subordinado, visto que são diferentes os objectivos que se pretendem alcançar com um e com out…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: MANUEL RODRIGUES
SERVIÇOS JURÍDICOS
PROFISSÃO LIBERAL
PRESCRIÇÃO PRESUNTIVA
I - As prescrições presuntivas de que tratam os artigos 312.º a 317.º do Cód. Civil, fundam-se na presunção de cumprimento, ou seja, apenas têm por efeito fazer presumir o cumprimento da obrigação respectiva pelo decurso de um certo prazo, não conferindo ao devedor, como sucede com a prescrição ordinária, a faculdade de recusar a prestação ou de se opor ao exercício do direito prescrito, visto não ser extintiva de direitos. II – Tanto da letra, como do espírito do artigo 317.º do Cód. Civil re…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: GABRIELA DE FÁTIMA MARQUES
ACÇÃO DE DESPEJO
LEGITIMIDADE
FALTA DE PAGAMENTO DA RENDA
INDEMNIZAÇÃO
I. Sendo a acção de despejo de carácter pessoal ou obrigacional, e não real, não tem o autor, para assegurar a sua legitimidade, que demonstrar que o arrendado lhe pertence, mas antes que é senhorio e que o réu é arrendatário do locado, bastando para tanto a junção da certidão predial em que figura como titular, bem como a escritura de venda a terceiro e a situação registal do locado, à data, de onde resulta o registo a favor desse terceiro com a transmissão efectuada pela Autora, sendo de apl…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO SANTOS
CONTRATO DE CONCESSÃO DE CRÉDITO
CONTA CORRENTE
PRESTAÇÕES
RESOLUÇÃO PELO MUTUANTE
PRAZO DE PRESCRIÇÃO
4.1.  - Prescrevem no prazo de 5 anos, por aplicação do disposto na alínea e), do art. 310º, do CC, as obrigações decorrentes de um contrato de concessão de crédito em conta corrente, desdobradas em prestações de amortização do capital mutuado ao devedor, com prestações mensais e sucessivas, de valor predeterminado, englobando os juros devidos. 4.2. - A circunstância de o mutuante, ao abrigo de cláusula inserta no contrato referido em 4.1., haver exercido o direito potestativo de resolução , e…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 17 Novembro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
PEDIDO CIVIL EMERGENTE DA PRÁTICA DE CRIME
REMESSA DAS PARTES PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
1. O juiz só poderá remeter as partes de pedido cível enxertado no processo penal para os tribunais cíveis, nos termos previstos no artigo 82.º, § 3.º CPP, se razões poderosas do julgamento da causa cível o impuserem ou verificando-se circunstância que possa retardar intoleravelmente o julgamento da causa penal. 2. Na ponderação a efetuar o juiz não poderá deixar de equacionar os prejuízos que de tal remessa poderão advir para as vítimas do crime, nomeadamente o desperdício de tempo e de meios…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 17 Novembro 2021
Relator: MARIA DA GRAÇA SANTOS SILVA
PRÉDIO DEVOLUTO
INTRODUÇÃO EM LOCAL VEDADO AO PÚBLICO
O facto de um prédio estar devoluto não obsta à tipicidade da conduta de quem o ocupa, que comete o crime de introdução em local vedado ao público. O bem jurídico tutelado é a intimidade do legítimo detentor da construção, independentemente do fim a que ela se possa destinar. A acção típica pode revestir a modalidade da entrada ou da permanência, desde que ultrapassada uma barreira física ou um espaço fisicamente delimitado, ainda que por forma descontínua desde que essa limitação mantenha o …
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 10 Novembro 2021
Relator: PAULA SANTOS
SECTOR EMPRESARIAL DO ESTADO
FUNDO DE PENSÕES
CONTRIBUIÇÃO EXTRAORDINÁRIA DE SOLIDARIEDADE
ORÇAMENTO DO ESTADO
Sendo a (…) uma empresa pertencente ao sector empresarial do Estado, financiada e tutelada pelo próprio, e tendo as Leis do Orçamento do Estado referentes aos anos  2011 a 2016, estabelecido normas, de carácter excepcional e imperativo, destinadas à redução da despesa, entre elas a contribuição extraordinária de solidariedade, que incide sobre as pensões, e que visa ser suportada no momento do pagamento e pelo beneficiário pensionista, não é legitimo admitir a hipótese de o CCC, do qual esta é…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: ISABEL DUARTE
TRÂNSITO EM JULGADO
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CRIMINAL
A noção de trânsito em julgado mostra-se contida no artigo 628° do Código de Processo Civil (art.º 677.º CPC 1961) aplicável ex vi do artigo 4° do Código de Processo Penal, segundo o qual "a decisão considera-se passada ou transitada em julgado, logo que não seja susceptível de recurso ordinário, ou de reclamação nos termos dos artigos 668° e 669°". Transitada em julgado a decisão que não admita o recurso para o Tribunal Constitucional ou lhe negue provimento, transita também a decisão recorri…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
ALTERAÇÃO DA MEDIDA DE COAÇÃO
VIOLAÇÃO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
RECUSA DA FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
Uma coisa é a violação das obrigações impostas propriamente ditas (a obrigação de não permanecer nas imediações da residência e do local de trabalho da ofendida e em qualquer outro local por esta frequentado, e a obrigação de não contactar por qualquer forma com a ofendida), outra coisa é a recusa da fiscalização do cumprimento de tais obrigações mediante sistema de vigilância electrónica, e, estando em causa nos autos o incumprimento desta última, tal não é de molde a justificar, por si só (o…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO CIVIL
REMESSA PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
Na situação em apreço, o Tribunal a quo fundou o reenvio do conhecimento da acção cível enxertada na circunstância da tramitação do incidente de habilitação de herdeiros comprometer de forma intolerável o normal andamento do processo criminal, a descoberta da verdade material e o “restabelecimento da paz jurídica do arguido e da comunidade”. Ressalvado sempre o devido respeito por diferente entendimento, não acompanhamos o argumentário da decisão recorrida. Não só a habilitação de herdeiros se…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
CRIME DE FURTO
CRIME DE NATUREZA SEMI-PÚBLICA
INEXISTÊNCIA DE QUEIXA
INADMISSIBILIDADE LEGAL DO PROCEDIMENTO
Apesar de ter havido uma intenção ilegítima de apropriação de coisa alheia e a execução de tal intento através da subtração da mesma, não se provaram os meios previstos no artº 210º do C. Penal para levar a cabo a subtração que são: a) a violência contra uma pessoa; b) a ameaça com perigo iminente para a vida ou a integridade física ou; c) pondo essa pessoa na impossibilidade de resistir, pelo que os factos não integram aquele crime, mas o de furto previsto no artº 203º nº 1 do C.Penal. Este …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
ASSISTENTE
DESCRIÇÃO DOS FACTOS
A exigência da descrição dos factos no requerimento de abertura de instrução pelo assistente radica na circunstância de este, partindo de um despacho de arquivamento do inquérito, dever fixar o objeto do processo, dentro do qual se moverá a atividade do juiz de instrução a quem é vedado alterar os factos alegados, fora das exceções previstas no artigo 303º, nº 1, do Código de Processo Penal. O requerimento de instrução é a base factual dentro da qual se moverá o contraditório, o exercício do …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOÃO AMARO
RELATÓRIO SOCIAL
TRABALHO A FAVOR DA COMUNIDADE
Não é nesta fase recursiva que o recorrente podia (e devia - se assim o considerasse seriamente -) discutir o conteúdo do “relatório social”. Na verdade, o recorrente teve pleno conhecimento do “relatório social” em questão, e teve, consequentemente, a oportunidade de sobre ele se pronunciar na audiência de discussão e julgamento, designadamente tendo tido, então sim, a oportunidade de requerer o que tivesse por conveniente a esse propósito, o que não fez. Por outras palavas: o “relatório soci…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
REEXAME DOS PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA
No artigo 213.º CPP preconiza-se um direito de audição do arguido sobre a manutenção ou alteração dos pressupostos da prisão preventiva ou da obrigação de permanência na habitação, o qual não implica (ou não implica necessariamente) o direito de audiência – isto é do direito de este se pronunciar na presença do juiz.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
DECLARAÇÕES PARA MEMÓRIA FUTURA
ESTATUTO DA VÍTIMA E VÍTIMAS ESPECIALMENTE VULNERÁVEIS
I. A tutela dos interesses da vítima e da testemunha especialmente vulnerável no processo penal implica exceção ao regime regra da concentração da produção da prova na audiência. II. O seu depoimento deverá prestar-se o mais brevemente possível, sendo as declarações para memória futura o melhor instrumento para conjugar as finalidades processuais e evitar a vitimização secundária.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CASO JULGADO FORMAL
Se um despacho acolhe promoção do MP e ordenou a certificação do trânsito em julgado da sentença condenatória relativamente a um arguido, reconhecendo, implicitamente, esse mesmo trânsito em julgado, está precludida a hipótese de proferir nos mesmos autos despacho posterior, onde se afirma que a sentença ainda não transitou em julgado quanto ao mesmo arguido, por existência de caso julgado formal.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CRIME DE TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES
OPC COMPETENTE
MEDIDAS CAUTELARES
CONVERSA INFORMAL
I - Para se poderem equacionar as consequências processuais desvaliosas mencionadas na conclusão de recurso (nulidade) para a decisão subsequente sobre as medidas de coacção, deve estar inequivocamente estabelecido um nexo relacional e causal entre o conteúdo da “conversa informal” com um suspeito / arguido e o teor do respectivo depoimento, ou seja, que se leve expressamente em consideração tal depoimento. II – Se estivermos perante um fortemente indiciado crime de tráfico de estupefacientes,…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
ABERTURA DE INSTRUÇÃO
NOTIFICAÇÃO PARA DEBETE INSTRUTÓRIO
NULIDADE
IRREGULARIDADE
Nos presentes autos o Ministério Público imputou aos arguidos a prática do crime de tráfico de estupefacientes p. e p. pelo art.º 21.º do DL 15/93 de 22.01, sendo que o fez em autoria simples e individual, isto é, aos arguidos não foi imputada nem a co-autoria do crime nem a atuação em grupo. O arguido CL foi acusado em autoria material do crime de tráfico de estupefacientes, não requereu a instrução e a factualidade descrita na acusação não integra qualquer das situações previstas no artº 24º…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
NATUREZA URGENTE DO PROCESSO
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
TEMPESTIVIDADE
I – É incorrecto fazer alterar a natureza do processo (fazendo cessar a natureza urgente) meramente a partir da interpretação do requerimento para abertura da instrução e do seu recorte quanto aos crimes pelos quais se pretende a respectiva pronúncia, sem que exista qualquer decisão judicial que sancione tal entendimento. II - A ser admissível este entendimento, nestes casos, a tempestividade do requerimento para abertura da instrução nunca estaria assegurada à partida, dependendo de um eventu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 07 Outubro 2021
Relator: CARLOS MARINHO
DIREITO AO SEGREDO DO NEGÓCIO
INFORMAÇÃO CONFIDENCIAL
Enquanto intervenção processual que contém mera concretização do antes decidido e que constitui singelo acto previsto por normas adjectivas com vista a despoletar a instrução e o início do curso do prazo de pronúncia escrita sobre as questões relevantes e viabilizar a apresentação de requerimento de diligências complementares de prova que nada constitui ou define (para além da necessidade de instrução) – cf. arts. 24.º e 25.º do Regime Jurídico da Concorrência (RJC) – a nota de ilicitude não …
Tribunal: Tribunal da Relação de Lisboa
Sessão: 22 Setembro 2021
Relator: RUI TEIXEIRA
IMPUGNAÇÃO ALARGADA
–A impugnação alargada da matéria de facto faz recair sobre o recorrente o ónus de apontar, com referência à prova produzida, os elementos probatórios tidos como relevantes para que o Tribunal Superior altere a matéria de facto; –Tal ónus não se baste com a remissão genérica para os depoimentos de "A" ou "B" competindo ao recorrente indicar especificamente qual o momento do depoimento que reputa relevante e porque é que o é; –No fundo, o recorrente tem de, em sede recursal, recriar todos …