Acórdãos Recentes
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
CONTRATO DE SEGURO
ACIDENTE DE VIAÇÃO
ABANDONO DO LOCAL DO ACIDENTE
AUTORIDADE POLICIAL
SEGURO AUTOMÓVEL FACULTATIVO
EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA
Constando das condições gerais de um contrato de seguro facultativo de responsabilidade civil automóvel que o contrato também não garantirá a situação em que o condutor do veículo, voluntariamente e por sua iniciativa, abandone o local do acidente de viação antes da chegada da autoridade policial, quando esta tenha sido chamada por si ou por outra entidade, essa exclusão de responsabilidade só ocorre se a autoridade policial já tiver sido chamada no momento do abandono.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO PIRES ROBALO
DOAÇÃO
ONERAÇÃO COM ENCARGOS
CLÁUSULA MODAL
ALTERAÇÕES
SUA NÃO APLICAÇÃO A BENEFICIÁRIO QUE AS NÃO RATIFICOU EM ESCRITURA PÚBLICA
I – Face ao disposto no art.º 945º do C. Civil verifica-se que a doação é um contrato ou negócio jurídico bilateral, que pressupõe duas vontades negociais, a “proposta de doação” e a “aceitação”, caducando a primeira se a segunda não ocorrer em vida do doador. II - O art.º 963.º do C.C. dispõe que “as doações podem ser oneradas com encargos”. Significa isso que na doação, tal como noutros negócios jurídicos que constituem liberalidades (cfr. art.º 2244º do mesmo código), as partes podem apôr…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: VÍTOR AMARAL
PRIVAÇÃO DO USO DE VEÍCULO AUTOMÓVEL
INDEMNIZAÇÃO
EQUIDADE
1. - Salvo quanto a matérias de conhecimento oficioso, os recursos destinam-se a reexaminar questões já anteriormente apreciadas no processo e não a produzir decisões ex novo. 2. - A equidade, como justiça do caso, mostra-se apta a temperar o rigor de certos resultados de pura subsunção jurídica, na procura da justa composição do litígio, fazendo apelo a dados de razoabilidade e equilíbrio, tal como de normalidade, proporção e adequação às circunstâncias concretas, sem cair no arbítrio. 3. - A…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: VÍTOR AMARAL
CONTRATO DE SEGURO
DECLARAÇÃO INICIAL DO RISCO
BOA FÉ
ÓNUS DE ALEGAÇÃO E DE PROVA
ANULAÇÃO DO CONTRATO
1. - O dever pré-contratual de declaração inicial do risco, a cargo do tomador do seguro ou segurado/aderente – previsto no art.º 24.º do RJCS, aprovado pelo Dec.Lei n.º 72/2008, de 16-04 (e anteriormente no art.º 429.º do CCom.) –, incide sobre todas as circunstâncias conhecidas do declarante (e só essas), desde que relevantes para a apreciação do risco. 2. - Cabe ao réu, defendendo-se, por via de exceção, mediante a invocação do incumprimento daquele dever e consequente invalidade (no caso, …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FERNANDO MONTEIRO
CITAÇÃO
PRESUNÇÃO ILIDIVEL
ÓNUS DE PROVA
I - Os artigos 233º, nº 4 e 238º, nº 1, do anterior Código de Processo Civil (com equivalentes nos atuais 225º, nº4 e 230º, nº1) estabelecem uma presunção ilidível, cumprindo ao citando demonstrar que a morada para onde foi enviada a carta não é a sua residência e que o seu não conhecimento se ficou a dever a facto que não lhe é imputável. II - A presunção é por natureza falível. A sua força persuasiva pode, por isso mesmo, ser afastada por simples contra prova. III - No caso, pelo conjunto de…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: LUÍS CRAVO
SUSPENSÃO DA INSTÂNCIA
CAUSA PREJUDICIAL
I – Nos termos e para os efeitos de decretamento da suspensão da instância por causa prejudicial, nos termos do art. 272º do n.C.P.Civil, entende-se como causa prejudicial aquela onde se discute e pretende apurar um facto ou situação que é elemento ou pressuposto da pretensão formulada na causa dependente, de tal forma que a resolução da questão que está a ser apreciada e discutida na causa prejudicial irá interferir e influenciar a causa dependente, destruindo ou modificando os fundamentos e…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FONTE RAMOS
PROVA POR DOCUMENTOS
DEVER DO JUIZ
1. A Relação só poderá/deverá alterar a decisão de facto se os factos tidos como assentes, a prova produzida ou um documento superveniente impuserem decisão diversa (art.º 662º, n.º 1, do CPC de 2013). 2. Os documentos não são factos, mas simples meios de prova dos factos alegados. 3. Em cumprimento do disposto no art.º 607º, n.ºs 3, 1ª parte e 4, do CPC, deverá o juiz indicar expressamente os factos provados pelos documentos, não bastando “dar como reproduzidos” os documentos ou realizar uma…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FONTE RAMOS
PENHORA
PRIVILÉGIO CREDITÓRIO
SUA CUMULAÇÃO PROCESSUAL
1. O credor reclamante por penhora posterior nos mesmos bens em execução própria, além da garantia dessa penhora, pode invocar o privilégio creditório que com ela se tornou operativo. 2. A penhora posterior concretiza a eficácia dos privilégios que se constituíram após a primeira penhora, atribuindo-lhe a lei especial relevância processual e substantiva (cf., v. g., art.ºs 733º, 788º, n.ºs 3 e 5 e 794º do CPC e 179º, n.º 1 do CPPT).
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ALBERTO RUÇO
PROCESSO TUTELAR CIVIL
PRINCÍPIO DO SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA
SUSPENSÃO DE CONTACTOS DO FILHO COM O PAI
AUDIÇÃO DO MENOR
I – Existindo acórdão do Tribunal da Relação, com recurso interposto para o Supremo Tribunal de Justiça, que imputa ao arguido factos que integram a autoria material de oito crimes de abuso sexual sobre a sua filha, com 4 anos de idade à data dos factos, tal factualidade pode ser levada em consideração num processo tutelar cível (Lei n.º 141/2015, de 08 de setembro), apesar do princípio da presunção de inocência do arguido consagrado no artigo 32.º da Constituição da República. II – Nesta situ…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: MÁRIO RODRIGUES DA SILVA
EXAME MÉDICO-LEGAL
ASSISTÊNCIA DE ASSESSOR TÉCNICO INDICADO PELA PARTE
A lei nº 45/2004, de 19 de agosto, não impede que uma parte, em processo civil, nomeie assessor técnico a fim de assistir a um exame médico legal.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: HELENA MARIA MELO
COVID-19
PRAZOS
SUSPENSÃO
CADUCIDADE
PRESCRIÇÃO
ACÇÕES NOMINATIVAS
TRANSMISSÃO
I) Os prazos de prescrição e de caducidade já iniciados ou em curso à data da entrada em vigor da Lei 4-B/2021 ou que viessem a iniciar-se posteriormente foram suspensos, só se retomando a partir da data em que viesse a ser declarado o termo da situação excepcional de resposta à pandemia da Covid-19. II) A suspensão referida em I) foi estabelecida em benefício das partes que, todavia, a ela podiam renunciar. III) A suspensão dos prazos de prescrição e de caducidade referida em I) não deve ser …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: EMÍDIO FRANCISCO SANTOS
EXECUÇÃO ESPECÍFICA
NÃO CUMPRIMENTO
MORA
INCUMPRIMENTO DEFINITIVO
PRAZO
INTERPELAÇÃO
CITAÇÃO
I) Para efeitos de admissibilidade da execução específica é suficiente a mora no cumprimento da obrigação, não sendo necessária a conversão daquela em incumprimento definitivo. II) A parte cumpridora num contrato-promessa não pode obter através da execução específica um efeito jurídico que o promitente faltoso esteja impedido de produzir. III) Não pode considerar-se que não tenha prazo o contrato-promessa em que se clausulou que “… a escritura seria efectuada logo após estar toda a documentaçã…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: EMÍDIO FRANCISCO SANTOS
PROCESSO ESPECIAL PARA ACORDO DE PAGAMENTO
ENCERRAMENTO DO PROCESSO NEGOCIAL
ENCERRAMENTO DO PROCESSO ESPECIAL
DESISTÊNCIA DO DEVEDOR DAS NEGOCIAÇÕES
PARECER DO ADMINISTRADOR JUDICIAL PROVISÓRIO
CONTRADITÓRIO DO DEVEDOR
APRESENTAÇÃO À INSOLVÊNCIA POR PARTE DO DEVEDOR
I) São realidades jurídicas distintas o encerramento do processo negocial em processo especial para acordo de pagamento, por um lado, e o encerramento do processo especial para acordo de pagamento, por outro lado. II) O processo negocial encerra-se quando o devedor ou a maioria dos credores legalmente prevista concluam antecipadamente não ser possível alcançar acordo; com o decurso do prazo das negociações; com a desistência das negociações, por parte do devedor, antes do decurso de tal prazo.…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: JOSÉ AVELINO GONÇALVES
EMBARGOS DE TERCEIRO
INSOLVÊNCIA
RESTITUIÇÃO E SEPARAÇÃO DE BENS APREENDIDOS PARA A MASSA INSOLVENTE
I) É legalmente inadmissível a dedução de embargos de terceiro como forma de reagir contra a apreensão de bens para a massa insolvente. II) Tal reacção deve fazer-se através da restituição e separação de bens apreendidos para a massa insolvente, a exercer por um dos mecanismos e nos prazos consagrados nos artigos 141.º, 144.º e 146.º do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresa (DL n.º 53/2004, de 18 de Março).
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
INSOLVÊNCIA
CAUSA DE PEDIR
CASO JULGADO
INDEFERIMENTO LIMINAR
EXONERAÇÃO DO PASSIVO RESTANTE
I) A causa de pedir do processo de insolvência corresponde, por regra, ao concreto passivo e activo que exista em determinado momento temporal e à impossibilidade de o activo do devedor lhe permitir cumprir o passivo que nesse momento se encontra vencido. II) Decretada a insolvência do devedor num determinado processo por si impulsionado, a existência de uma nova causa de pedir necessária à instauração pelo mesmo devedor de um segundo processo de insolvência exige que o devedor tivesse consegu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 17 Novembro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
PEDIDO CIVIL EMERGENTE DA PRÁTICA DE CRIME
REMESSA DAS PARTES PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
1. O juiz só poderá remeter as partes de pedido cível enxertado no processo penal para os tribunais cíveis, nos termos previstos no artigo 82.º, § 3.º CPP, se razões poderosas do julgamento da causa cível o impuserem ou verificando-se circunstância que possa retardar intoleravelmente o julgamento da causa penal. 2. Na ponderação a efetuar o juiz não poderá deixar de equacionar os prejuízos que de tal remessa poderão advir para as vítimas do crime, nomeadamente o desperdício de tempo e de meios…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 15 Novembro 2021
Relator: DOMINGOS MORAIS
DIREITO CONSTITUCIONAL À SEGURANÇA NO EMPREGO
CONTRATOS DE TRABALHO PRECÁRIO
CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO
CONTRATO DE TRABALHO A TERMO
PROIBIÇÃO DE CONTRATOS SUCESSIVOS
ILUSÃO DAS DISPOSIÇÕES DO CONTRATO SEM TERMO
COMUNICAÇÃO DE CADUCIDADE
DESPEDIMENTO ILÍCITO
I – O direito constitucional à segurança no emprego abrange todas as situações que se traduzam em injustificada precariedade da relação de trabalho. II - Nos termos do artigo 179.º do CT/2009, completada a duração máxima de contrato de utilização de trabalho temporário, é proibida a sucessão no mesmo posto de trabalho de trabalhador temporário ou de trabalhador contratado a termo, antes de decorrer um período de tempo igual a um terço da duração do referido contrato, incluindo renovações. I…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 15 Novembro 2021
Relator: DOMINGOS MORAIS
COMPORTAMENTO DO EMPREGADOR E SUPERIOR HIERÁRQUICO
ASSÉDIO MORAL
PROTESTO EM AUDIÊNCIA DE JULGAMENTO
OMISSÃO DE PRONÚNCIA
I – Comportamento do empregador e superior hierárquico: (i)incumprir o acordado com o trabalhador, director de vendas, quanto ao pagamento das comissões; (ii)ignorar os pedidos de esclarecimento do trabalhador, não respondendo; (iii)alterar, nas facturas finais, os códigos de vendedor em vendas angariadas pelo trabalhador, prejudicando-o no valor das comissões; (iv)modificar o procedimento quanto à necessidade de aprovação prévia das notas de encomenda do trabalhador, pelo director comercial, …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 15 Novembro 2021
Relator: JERÓNIMO FREITAS
PRESUNÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO
CONTRATO DE SERVIÇO DOMÉSTICO
MODALIDADES
TRABALHADORA ALOJADA A TEMPO INTEIRO
PERÍODOS NORMAIS DE TRABALHO
DIREITO A REPOUSO NOTURNO
FERIADOS OBRIGATÓRIOS
FORMAÇÃO CONTÍNUA
I - Nos termos estabelecidos no art.º 12.º do CT, presume-se a existência de um contrato de trabalho sempre que ocorram alguns dos indícios ali mencionados nas alíneas a) a e), cuja enunciação é meramente exemplificativa, sendo bastante que se verifiquem apenas dois desses indícios para que possa ser presumida a existência de um contrato de trabalho. II - Não estabelecendo a norma qualquer proibição, a presunção legal aí contida é ilidível, como é de regra, significando isso que a qualificação…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 10 Novembro 2021
Relator: HORÁCIO CORREIA PINTO
PRAZO DO PAGAMENTO DA MULTA
SUBSTITUIÇÃO DA MULTA POR TRABALHO A FAVOR DA COMUNIDADE
I - Os prazos de pagamento da multa previstos nos artigos 489.º, n.º 2, e 490.º, n.º 1, do Código de Processo Penal têm natureza perentória II - O pedido de substituição da pena de multa por prestação de trabalho a favor da comunidade só pode ser feito no prazo previsto no artigo 489.º do Código de Processo Penal
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: ISABEL DUARTE
TRÂNSITO EM JULGADO
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CRIMINAL
A noção de trânsito em julgado mostra-se contida no artigo 628° do Código de Processo Civil (art.º 677.º CPC 1961) aplicável ex vi do artigo 4° do Código de Processo Penal, segundo o qual "a decisão considera-se passada ou transitada em julgado, logo que não seja susceptível de recurso ordinário, ou de reclamação nos termos dos artigos 668° e 669°". Transitada em julgado a decisão que não admita o recurso para o Tribunal Constitucional ou lhe negue provimento, transita também a decisão recorri…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
ALTERAÇÃO DA MEDIDA DE COAÇÃO
VIOLAÇÃO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
RECUSA DA FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
Uma coisa é a violação das obrigações impostas propriamente ditas (a obrigação de não permanecer nas imediações da residência e do local de trabalho da ofendida e em qualquer outro local por esta frequentado, e a obrigação de não contactar por qualquer forma com a ofendida), outra coisa é a recusa da fiscalização do cumprimento de tais obrigações mediante sistema de vigilância electrónica, e, estando em causa nos autos o incumprimento desta última, tal não é de molde a justificar, por si só (o…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: ISOLETA DE ALMEIDA COSTA
PRETENSÃO DEDUZIDA EM JUÍZO
INTERPRETAÇÃO
PRINCÍPIO DO DISPOSITIVO
I - O tribunal pode interpretar a pretensão deduzida pelo Autor/Réu Reconvinte, sem violar o principio do dispositivo consagrado no artigo 3º nº 1 do Código de Processo Civil, apelando ao regime jurídico do próprio objeto do pedido e aos critérios gerais de interpretação da vontade das partes. II - Numa ação em que se pede a condenação do Réu a indemnizar a Autora em quantia monetária para ressarcimento de prejuízos decorrentes da extração não autorizada de pedra e na qual apenas se prova a e…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: ARISTIDES RODRIGUES DE ALMEIDA
CONTRATO DE SEGURO DE VIDA
INVALIDEZ TOTAL E PERMANENTE
INEXISTÊNCIA DE RISCO
PROPOSTA
PREENCHIMENTO DO QUESTIONÁRIO
VINCULAÇÃO DO TOMADOR
I - O contrato de seguro de vida com cobertura de invalidez total e permanente é nulo, por inexistência do risco, se no momento da sua celebração o tomador do seguro já se encontra numa situação de invalidez permanente. II - Porém, essa circunstância não se deduz de modo automático da circunstância de já estar diagnosticada ao tomador de seguro uma doença que só mais tarde vem a suscitar o estado de invalidez permanente. III - A aposição da assinatura num documento representa a assunção da aut…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: JUDITE PIRES
ESTABILIDADE DA INSTÂNCIA
ALTERAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR
LEGITIMIDADE PROCESSUAL/SUBSTANTIVA
AUTORIDADE DE CASO JULGADO
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
I - Após a citação do réu, a modificação dos elementos subjectivos ou objectivos da instância só pode operar nos estritos limites consentidos pelos artigos 261.º a 265.º do Código de Processo Civil. II - Na falta de acordo, a causa de pedir só pode ser alterada em consequência de confissão do réu, e aceite pelo autor. III - A construção da legitimidade pressupõe dois conceitos distintos: a legitimidade processual e a legitimidade material ou substantiva. A legitimidade processual tem a ver co…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: CARLOS PORTELA
REFORMA DE ACÓRDÃO
USO ABUSIVO
I - Em regra, uma lei processual como é a da exigência de pagamento de um valor para que um incidente processual possa ser apreciado, é de aplicação imediata, sendo aplicável às acções pendentes, atendo o disposto no art.º 12º do Código Civil. II - No caso e tendo a nota discriminativa e justificativa de custas de parte e a reclamação que se lhe seguiu, sido apresentadas na vigência da redacção dada ao Regulamento das Custas Processuais, pela Lei nº27/19 de 28.03, deve aplicar-se ao respectivo…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: PAULO DIAS DA SILVA
SERVIDÃO VOLUNTÁRIA
SERVIDÃO LEGAL
CONSTITUIÇÃO
SERVIDÃO DE PASSAGEM
EXTINÇÃO POR DESNECESSIDADE
“I - Todos os modos de constituição de servidões voluntárias referidos no n.º 1 do artigo 1547.º do Código Civil – contrato, testamento, usucapião e destinação do pai de família – consubstanciam meios de constituição voluntária das servidões legais, a que alude o número 2 do mesmo preceito. II - Para a extinção de uma servidão de passagem com fundamento em que se tornou desnecessária, nos termos do n.º 3 do artigo 1569 do mesmo diploma legal, o que importa é que, constituída a servidão por qu…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: FILIPE CAROÇO
SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA
ESCOLA PÚBLICA/PRIVADA
MUDANÇA
ASPECTO ECONÓMICO
I - O interesse da criança aponta no sentido desta poder alcançar, a todo o momento, o ambiente mais propício possível ao desenvolvimento harmonioso da personalidade, ao progresso contínuo da sua educação e à manutenção ou recuperação da saúde (física e mental), dentro dos respetivos condicionalismos individuais, familiares, económicos e sociais. II - Se a modificação proposta pelo recorrente para a decisão proferida em matéria de facto não respeita aos factos essenciais e não tem relevo para …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: PAULO DUARTE TEIXEIRA
DOAÇÃO
CLÁUSULA MODAL
REVOGAÇÃO
INDEFERIMENTO LIMINAR DA PETIÇÃO
I - Uma doação modal é aquela na qual existe uma cláusula modal que impõe ao donatário um ónus ou encargo. II - Essa doação pode ser revogada se as partes previrem essa forma de cessação no contrato. III - A ineptidão da petição inicial existe quando ocorrer uma falta de exposição essencial da causa de pedir e não apenas uma mera deficiência ou lacuna de alegação. IV - Não pode ser corrigida, mas deve ser indeferida liminarmente, uma petição, que omite porque não existe, a cláusula de revogaçã…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 21 Outubro 2021
Relator: FRANCISCA MOTA VIEIRA
LITISPENDÊNCIA
OPERATIVIDADE
CITAÇÃO DO RÉU
I - A citação do réu, enquanto facto determinante da precedência da acção para efeito da litispendência, releva relativamente à acção para a qual o réu for citado em segundo lugar, ainda que esta tenha sido proposta anteriormente. II - A exceção da litispendência apenas pode operar (ter eficácia) na ação em que o réu é citado em segundo lugar.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
ASSISTENTE
DESCRIÇÃO DOS FACTOS
A exigência da descrição dos factos no requerimento de abertura de instrução pelo assistente radica na circunstância de este, partindo de um despacho de arquivamento do inquérito, dever fixar o objeto do processo, dentro do qual se moverá a atividade do juiz de instrução a quem é vedado alterar os factos alegados, fora das exceções previstas no artigo 303º, nº 1, do Código de Processo Penal. O requerimento de instrução é a base factual dentro da qual se moverá o contraditório, o exercício do …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
DECLARAÇÕES PARA MEMÓRIA FUTURA
ESTATUTO DA VÍTIMA E VÍTIMAS ESPECIALMENTE VULNERÁVEIS
I. A tutela dos interesses da vítima e da testemunha especialmente vulnerável no processo penal implica exceção ao regime regra da concentração da produção da prova na audiência. II. O seu depoimento deverá prestar-se o mais brevemente possível, sendo as declarações para memória futura o melhor instrumento para conjugar as finalidades processuais e evitar a vitimização secundária.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
REEXAME DOS PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA
No artigo 213.º CPP preconiza-se um direito de audição do arguido sobre a manutenção ou alteração dos pressupostos da prisão preventiva ou da obrigação de permanência na habitação, o qual não implica (ou não implica necessariamente) o direito de audiência – isto é do direito de este se pronunciar na presença do juiz.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOÃO AMARO
RELATÓRIO SOCIAL
TRABALHO A FAVOR DA COMUNIDADE
Não é nesta fase recursiva que o recorrente podia (e devia - se assim o considerasse seriamente -) discutir o conteúdo do “relatório social”. Na verdade, o recorrente teve pleno conhecimento do “relatório social” em questão, e teve, consequentemente, a oportunidade de sobre ele se pronunciar na audiência de discussão e julgamento, designadamente tendo tido, então sim, a oportunidade de requerer o que tivesse por conveniente a esse propósito, o que não fez. Por outras palavas: o “relatório soci…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CASO JULGADO FORMAL
Se um despacho acolhe promoção do MP e ordenou a certificação do trânsito em julgado da sentença condenatória relativamente a um arguido, reconhecendo, implicitamente, esse mesmo trânsito em julgado, está precludida a hipótese de proferir nos mesmos autos despacho posterior, onde se afirma que a sentença ainda não transitou em julgado quanto ao mesmo arguido, por existência de caso julgado formal.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CRIME DE TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES
OPC COMPETENTE
MEDIDAS CAUTELARES
CONVERSA INFORMAL
I - Para se poderem equacionar as consequências processuais desvaliosas mencionadas na conclusão de recurso (nulidade) para a decisão subsequente sobre as medidas de coacção, deve estar inequivocamente estabelecido um nexo relacional e causal entre o conteúdo da “conversa informal” com um suspeito / arguido e o teor do respectivo depoimento, ou seja, que se leve expressamente em consideração tal depoimento. II – Se estivermos perante um fortemente indiciado crime de tráfico de estupefacientes,…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
ABERTURA DE INSTRUÇÃO
NOTIFICAÇÃO PARA DEBETE INSTRUTÓRIO
NULIDADE
IRREGULARIDADE
Nos presentes autos o Ministério Público imputou aos arguidos a prática do crime de tráfico de estupefacientes p. e p. pelo art.º 21.º do DL 15/93 de 22.01, sendo que o fez em autoria simples e individual, isto é, aos arguidos não foi imputada nem a co-autoria do crime nem a atuação em grupo. O arguido CL foi acusado em autoria material do crime de tráfico de estupefacientes, não requereu a instrução e a factualidade descrita na acusação não integra qualquer das situações previstas no artº 24º…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
NATUREZA URGENTE DO PROCESSO
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
TEMPESTIVIDADE
I – É incorrecto fazer alterar a natureza do processo (fazendo cessar a natureza urgente) meramente a partir da interpretação do requerimento para abertura da instrução e do seu recorte quanto aos crimes pelos quais se pretende a respectiva pronúncia, sem que exista qualquer decisão judicial que sancione tal entendimento. II - A ser admissível este entendimento, nestes casos, a tempestividade do requerimento para abertura da instrução nunca estaria assegurada à partida, dependendo de um eventu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO CIVIL
REMESSA PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
Na situação em apreço, o Tribunal a quo fundou o reenvio do conhecimento da acção cível enxertada na circunstância da tramitação do incidente de habilitação de herdeiros comprometer de forma intolerável o normal andamento do processo criminal, a descoberta da verdade material e o “restabelecimento da paz jurídica do arguido e da comunidade”. Ressalvado sempre o devido respeito por diferente entendimento, não acompanhamos o argumentário da decisão recorrida. Não só a habilitação de herdeiros se…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
CRIME DE FURTO
CRIME DE NATUREZA SEMI-PÚBLICA
INEXISTÊNCIA DE QUEIXA
INADMISSIBILIDADE LEGAL DO PROCEDIMENTO
Apesar de ter havido uma intenção ilegítima de apropriação de coisa alheia e a execução de tal intento através da subtração da mesma, não se provaram os meios previstos no artº 210º do C. Penal para levar a cabo a subtração que são: a) a violência contra uma pessoa; b) a ameaça com perigo iminente para a vida ou a integridade física ou; c) pondo essa pessoa na impossibilidade de resistir, pelo que os factos não integram aquele crime, mas o de furto previsto no artº 203º nº 1 do C.Penal. Este …