Acórdãos Recentes
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 27 Fevereiro 2024
Relator: JOSÉ IGREJA MATOS
AÇÃO DE RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE TRABALHO
COMPETÊNCIA TERRITORIAL
TRIBUNAL DO TRABALHO
I - A ação de reconhecimento da existência de contrato de trabalho decorrente do disposto no artigo 15.º-A da Lei n.º 107/2009, de 14 de Setembro que regula o procedimento a adotar em caso de inadequação do vínculo que titula a prestação de uma atividade em condições correspondentes às do contrato de trabalho deve ser intentada pelo Ministério Público no juízo do trabalho da área territorial onde a pessoa em causa presta a respetiva atividade. II - Estando em causa uma lei especial e face ao…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 15 Fevereiro 2024
Relator: ANA CAROLINA CARDOSO
REMESSA DO PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO PARA OS MEIOS CIVIS
RECORRIBILIDADE
É irrecorrível o despacho proferido ao abrigo do art. 82º, n.º 3, do Código de Processo Penal, desde que fundamentado.(Sumário elaborado pela Relatora)
Tribunal: Supremo Tribunal de Justiça
Sessão: 15 Fevereiro 2024
Relator: AGOSTINHO TORRES
RECURSO DE REVISÃO
NOVOS MEIOS DE PROVA
PROVA TESTEMUNHAL
PROVA DOCUMENTAL
INJUSTIÇA DA CONDENAÇÃO
INDEFERIMENTO
I - O recurso extraordinário de revisão é, como o nome indica, um meio extraordinário de reacção contra uma decisão já transitada em julgado e não uma forma de requerer produção de prova que atempadamente não se requereu e, cujo resultado não se anteveria passível de contrariar a credibilidade da prova pessoal prestada em julgamento, tal como consta dos factos provados e da sua fundamentação. II - O recurso de revisão instaurado não pode ter provimento porquanto a prova alegadamente “nova” of…
Tribunal: Supremo Tribunal de Justiça
Sessão: 15 Fevereiro 2024
Relator: ALBERTINA PEREIRA
RECURSO PER SALTUM
CONCLUSÕES
OBJETO DO RECURSO
MOTIVAÇÃO DO RECURSO
FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO
NULIDADE
PROCEDÊNCIA
MEDIDA DA PENA
PENA ÚNICA
CÚMULO JURÍDICO
ROUBO
FURTO
I - Dado que o recorrente não transpôs para as conclusões de recurso o que invocou na sua motivação quanto à pretendida atenuação especial da pena, tal significa que o recorrente, para efeitos de delimitação do objecto do recurso não a considerou, pelo que não será tal matéria conhecida por este tribunal (Neste sentido, veja-se o Acórdão do STJ de 26-10-2023, proc. n.º 309/22.2GDLLE.S1 e Simas Santos e Leal Henriques, “Recursos em Processo Penal”, Rei dos Livros, 6.ª Edição 2007, pág. 103, “……
Tribunal: Supremo Tribunal de Justiça
Sessão: 15 Fevereiro 2024
Relator: AGOSTINHO TORRES
RECURSO PARA FIXAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA
PROCESSO DE CONTRAORDENAÇÃO
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CONTRAORDENACIONAL
APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
COVID-19
SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO
QUESTÃO FUNDAMENTAL DE DIREITO
OPOSIÇÃO EXPRESSA
REJEIÇÃO
I - Questão em debate: prazo de suspensão prescricional contraordenacional- legislação Covid; “Determinação da regra de fixação do número de dias que deve acrescer ao prazo máximo de prescrição do procedimento contraordenacional, por efeito da legislação COVID- [- Lei n.º 1-A/2020, de 19 de março, na redação dada pela Lei n.º 4-A/2020, de 6 de abril, Lei n.º 16/2020, de 29 de maio, Lei n.º 4-B/2021, de 1 de fevereiro, e Lei n.º 13-B/2021, de 5 de abril.] II - O Código de Processo Penal admite…
Tribunal: Supremo Tribunal de Justiça
Sessão: 15 Fevereiro 2024
Relator: ALBERTINA PEREIRA
RECURSO DE REVISÃO
NOVOS FACTOS
ERRO DE IDENTIDADE
IDENTIDADE DO ARGUIDO
INJUSTIÇA DA CONDENAÇÃO
PROCEDÊNCIA
I - No âmbito do recurso extraordinário de revisão é de conceder a revisão da sentença num caso, como o presente, em que um terceiro, terá utilizado uma autorização de residência falsa com os elementos de identificação do recorrente AAA, a fim de com ela se identificar em diversas ocasiões. II - Nestes autos surge como facto novo o erro de identidade do arguido. Conjugando esse facto com a circunstância de AAA não ter estado no local dos factos em questão, o terceiro que se terá feito passar…
Tribunal: Supremo Tribunal de Justiça
Sessão: 15 Fevereiro 2024
Relator: JORGE GONÇALVES
RECURSO PENAL
RECURSO DE ACÓRDÃO DA RELAÇÃO
TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES
MEDIDA CONCRETA DA PENA
I - Está em causa, essencialmente, o tráfico de canábis, ainda que também se tenha provado o tráfico (em quantidade pouco expressiva) de cocaína, verificando-se: o grau de ilicitude revelado no comportamento do arguido é elevado, considerando o número de atos de venda praticados, a duração do período em que a atividade de tráfico se desenvolveu e o papel do arguido como fonte de fornecimento de estupefacientes aos restantes arguidos, o que alimentou, a jusante, a atividade de tráfico por este…
Tribunal: Supremo Tribunal de Justiça
Sessão: 15 Fevereiro 2024
Relator: JORGE GONÇALVES
RECURSO DE REVISÃO
FALSIDADE DE DEPOIMENTO OU DECLARAÇÃO
NOVOS MEIOS DE PROVA
NOVOS FACTOS
INJUSTIÇA DA CONDENAÇÃO
PROVA DOCUMENTAL
REJEIÇÃO
I - O recurso de revisão não se destina a analisar eventuais nulidades processuais ou outros vícios do julgamento ou da sentença, pois para essas situações existe o recurso ordinário, não tendo fundamento a pretensão de que se conheça, em sede de recurso de revisão, de alegadas nulidades processuais que, a existirem, estão cobertas pelo indiscutível trânsito em julgado da decisão condenatória. II - O fundamento de revisão previsto no art. 449.º, n.º 1, al. a), do CPP, refere-se à falsidade de…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 09 Fevereiro 2024
Relator: MÁRIO RODRIGUES DA SILVA
ACIDENTE FERROVIÁRIO
INFRAÇÕES CONTRAORDENACIONAIS
CONCURSO COM ILÍCITOS CRIMINAIS
ÂMBITO DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA
INVALIDADE
I – O artigo 38.º, n.º 1, do RGCO, abrange as situações de concurso, ideal ou real, de ilícitos criminais com as infrações contraordenacionais que estejam conexas com aqueles. II – Havendo indícios suficientes da contraordenação, mas não do crime, o Ministério Público deve adotar a seguinte conduta: arquivamento do crime e envio da certidão relativa à contraordenação à autoridade administrativa competente. III – Fora desse quadro, a autoridade administrativa é incompetente para o conhecimento…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 09 Fevereiro 2024
Relator: FELIZARDO PAIVA
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
FORÇA OBRIGATÓRIA GERAL
EFEITOS
CONTRATO DE TRABALHO POR TEMPO INDETERMINADO
PERÍODO EXPERIMENTAL
DURAÇÃO
I – O Tribunal Constitucional, através do Acórdão n.º 318/2021 a 18-05-2021 declarou, com força obrigatória geral: “a inconstitucionalidade da norma contida no artigo 112.º, n.º 1, alínea b), subalínea iii), do Código do Trabalho, na redação introduzida pela Lei n.º 93/2019, de 4 de setembro, na parte que se refere aos trabalhadores que “estejam à procura do primeiro emprego”, quando aplicável a trabalhadores que anteriormente tenham sido contratados, com termo, por um período igual ou superi…
Tribunal: Supremo Tribunal de Justiça
Sessão: 08 Fevereiro 2024
Relator: JORGE GONÇALVES
HABEAS CORPUS
FUNDAMENTOS
PRISÃO PREVENTIVA
ACUSAÇÃO
NOTIFICAÇÃO
PRAZO DA PRISÃO PREVENTIVA
INDEFERIMENTO
I - O habeas corpus é uma providência extraordinária e expedita, independente do sistema de recursos penais, que se destina exclusivamente a salvaguardar o direito à liberdade. II - Os motivos de «ilegalidade da prisão», como fundamento da providência de habeas corpus, têm de reconduzir-se, necessariamente, à previsão das alíneas do n.º 2 do art. 222.º do CPP, de enumeração taxativa. III - Constitui jurisprudência constante do STJ o entendimento de que o prazo máximo de duração da prisão prev…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: ANA CAROLINA CARDOSO
AMNISTIA
REFERÊNCIA A CONDENADOS
INTERPRETAÇÃO DO ART. 7º DA LEI 38-A/2023
As exceções previstas no art. 7º da Lei da Amnistia aplicam-se às condutas ainda não julgadas ou transitadas em julgado.(Sumário elaborado pela Relatora)
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: HELENA LAMAS
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO
DEPÓSITO DE CUSTAS DE PARTE
CONTA BANCÁRIA DE TERCEIRO
1- Quando está em causa um elemento de prova indispensável ou fundamental para a descoberta da verdade, o sigilo bancário deve ceder perante o dever de cooperação na descoberta da verdade material. 2- É o que sucede caso as custas de parte sejam depositadas em conta bancária titulada por terceiro desconhecido.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: HELENA LAMAS
FOTOGRAFIA ILÍCITA
FACEBOOK
DIFAMAÇÃO COM PUBLICIDADE AGRAVADA
LIBERDADE DE IMPRENSA
I. É lícita a utilização de fotografia colocada pelo próprio na sua página (de acesso público) da rede social Facebook como forma de se promover politicamente. II. A publicação de um juízo crítico sobre a atuação de um político. considerado incorreto pelo autor do artigo, insere-se nos direitos de crítica e liberdade de imprensa. III. O preenchimento do elemento subjetivo do crime de difamação com publicidade agravado basta-se com a verificação da susceptibilidade das expressões para ofender, …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: PEDRO LIMA
PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO CÍVEL
PRAZO
NOTIFICAÇÃO
PRINCÍPIO DA CONFIANÇA
I – Querendo deduzir pedido de indemnização cível, o assistente deve formulá-lo no prazo previsto no art. 284º, n.º 1, do Código de Processo Penal. II - Não pode ser recusado o pedido cível se se encontrar em concordância com os termos e o prazo indicados pela secretaria, ainda que em contrariedade com o legalmente estabelecido.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: PAULO GUERRA
OFENSA À INTEGRIDADE FÍSICA QUALIFICADA
MEIO PARTICULARMENTE PERIGOSO
EXEMPLOS PADRÃO
ARMA
SOQUEIRA
COAÇÃO
COAUTORIA
CUMPLICIDADE
1. A qualificação do crime de homicídio – ou de outro - não resulta de forma automática ou inexorável da verificação de uma ou várias das circunstâncias enumeradas no art. 132º, nº 2 do CP, sendo necessário que as mesmas revelem especial censurabilidade ou perversidade. 2. A especial censurabilidade ou perversidade tem de ser demonstrado na situação em concreto, através de uma análise das circunstâncias do caso, aferindo-se a agravação da culpa pela maior desconformidade que a personalidade ma…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: MARIA TERESA COIMBRA
CÚMULO JURÍDICO
CONHECIMENTO SUPERVENIENTE
Enferma de nulidade por omissão de pronúncia o acórdão cumulatório que não incluiu uma pena de prisão inicialmente substituída e posteriormente cumprida, que deverá ser objeto de desconto.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: MARIA JOSÉ GUERRA
OFENSA À INTEGRIDADE FÍSICA NEGLIGENTE
VIGILÂNCIA DE CANÍDEO
DANO PATRIMONIAL FUTURO
I. Impende sobre o detentor de canídeo não classificado como perigoso o dever de o vigiar e assim evitar que ponha em risco a vida ou integridade física de outras pessoas ou animais. II. Para efeitos de determinação de danos patrimoniais futuros, não pode o ofendido assentar o recurso em argumentação não esgrimida na contestação apresentada e que por isso não foi objeto de discussão e decisão em 1ª instância.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: ANA CAROLINA CARDOSO
CONDUÇÃO PERIGOSA DE VEÍCULO
ASSISTENTE
Tem legitimidade para se constituir assistente no crime de condução perigosa de veículo rodoviário, p. e p. pelo art. 291º, n.º 1, al. b), do Código Penal, a pessoa que tenha sido colocada em perigo ou cujos bens tenham sido colocados em perigo com a prática do crime.(Sumário elaborado pela Relatora)
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 07 Fevereiro 2024
Relator: CÂNDIDA MARTINHO
PENA DE MULTA
PRESCRIÇÃO
Após junção de requerimento com vista à substituição da pena de multa por prestação de trabalho a favor da comunidade, não é aplicável a causa de suspensão do prazo de prescrição da pena prevista no art. 125º, n.º 1, al. aI, do C.P..
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: MOREIRA DO CARMO
COOPERATIVAS
IMPUGNAÇÃO DE DECISÃO DO PRESIDENTE DA MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
RECORRIBILIDADE ATRAVÉS DE IMPUGNAÇÃO JUDICIAL
i) Se os Estatutos da CAIXA DE CRÉDITO AGRICOLA MÚTUO DE COIMBRA, CRL, não preveem impugnação da decisão do Presidente da Mesa da Assembleia Geral, sobre admissão de listas candidatas, em processo eleitoral, apenas prevendo, no seu Regulamento Eleitoral, a possibilidade de recurso, nos termos da lei, de todas as decisões tomadas no âmbito do processo eleitoral, o mencionado recurso só pode ser o judicial de impugnação/anulação da deliberação final da Assembleia Geral tomada sobre tal eleição; …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: MOREIRA DO CARMO
EMBARGOS DE EXECUTADO
INVOCAÇÃO DA COMPENSAÇÃO
EXIGIBILIDADE E RECONHECIMENTO JUDICIAL DO CONTRA-CRÉDITO
i) A invocação da compensação, em embargos de executado, só não será admissível quando ela já era possível à data da contestação da acção declarativa, só assim se harmonizando o regime da alínea h) com o da alínea g) do art. 729º; ii) Só assim não seria se a compensação já era possível à data da contestação da acção declarativa, e não tivesse sido deduzida, ou tivesse sido alegada em reconvenção na acção declarativa e houvesse sido julgada improcedente; iii) Se no âmbito de acção declarativa…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: LUÍS RICARDO
TÍTULO EXECUTIVO
LIVRANÇA
REQUISITOS
INDEFERIMENTO LIMINAR
I – Um documento, emitido por uma sociedade comercial, que observa na integra os requisitos previstos no art. 75º da LULL, constitui uma livrança susceptível de ser apresentada como título executivo. II – A inobservância de formulários ou de requisitos de ordem fiscal estabelecidos pelo legislador neste domínio não afecta a exequibilidade de um documento que contenha todos os requisitos exigidos pela LULL. (Sumário elaborado pelo Relator)
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: LUÍS CRAVO
DEVERES DO INTERMEDIÁRIO FINANCEIRO
RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL DO INTERMEDIÁRIO FINANCEIRO
ÓNUS DA PROVA
I – No âmbito dos deveres impostos ao intermediário financeiro, destacam-se os deveres de informação, relativamente aos serviços que ofereça, lhe sejam solicitados ou que efetivamente preste, os quais deverão ser cumpridos através da prestação de “todas as informações necessárias para uma tomada de decisão esclarecida e fundamentada”, sendo ilícita a informação a prestar pelo intermediário financeiro ao investidor não qualificado quando tem lugar a violação do dever de informação, com os seus …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
PROCESSO DE INSOLVÊNCIA
COMPETÊNCIA INTERNACIONAL DOS TRIBUNAIS PORTUGUESES
REQUERENTE DE NACIONALIDADE PORTUGUESA
RESIDÊNCIA NOUTRO ESTADO-MEMBRO
CENTRO DOS INTERESSES PRINCIPAIS DO DEVEDOR
I – Como resulta do disposto no art.º 3.º, n.º 1, do Regulamento (UE) 2015/848 do Parlamento Europeu e do Conselho de 20 de maio de 2015, é, por regra, o local onde se situa o centro dos interesses principais do devedor no momento da abertura do processo de insolvência, que fixa a competência internacional dos tribunais de um Estado-Membro, para a abertura, apreciação e decisão de um processo de insolvência, relativamente a um devedor que nele resida (salvas as exceções legais, não preenchida…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
PROCESSO DE PROMOÇÃO E PROTEÇÃO
MEDIDA DE ACOLHIMENTO RESIDENCIAL
NATUREZA DOS PRAZOS
PRAZO MERAMENTE INDICATIVO
I – No âmbito do processo de promoção e proteção, com aplicação da medida de acolhimento residencial, o prazo a que se refere o art.º 37.º, n.º 3, da LPCJP (prazo máximo de 6 meses) é meramente indicativo – não imperativo –, não impondo, por isso, o seu esgotamento a imediata declaração de cessação da medida aplicada. II – Também é meramente indicativo o prazo previsto no art.º 109.º, da LPCJP (prazo máximo de 4 meses de duração da instrução), não impondo o seu esgotamento o imediato encerram…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: VÍTOR AMARAL
DANO DE PRIVAÇÃO DO USO DE BENS OU VALORES
PENHORA DE VALORES/SALDOS BANCÁRIOS
INDEMNIZAÇÃO
EQUIDADE
1. - Havendo divergências jurisprudenciais quanto à determinação/caraterização do dano da privação do uso de um bem/valor, parece mais adequada e justa a posição que defende que, a mais da privação da disponibilidade do bem (perturbação da possibilidade de uso/utilização), só haverá dano efetivo, como tal indemnizável, se ocorrer perda das vantagens concretas e determinadas que o gozo da coisa proporciona, embora se admita, atenta a natureza e circunstâncias do prejuízo, um juízo probatório me…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: JOSÉ AVELINO GONÇALVES
PARTILHA EM CONSEQUÊNCIA DE DIVÓRCIO
REGIME DA COMUNHÃO GERAL DE BENS
BENS COMUNS
INDEMNIZAÇÃO DE ÂMBITO LABORAL
I – Nos termos das disposições conjugadas dos artigos 1721º e 1724º, a), por remissão do disposto no artigo 1734.º todos do Código Civil, fazem parte da comunhão, o produto do trabalho dos cônjuges. II – O espírito do sistema da comunhão geral é o de que ingressam no património comum todos os ganhos “alcançados” pelos cônjuges, todos os bens que “advierem” aos cônjuges durante o casamento que não sejam excetuados por lei. III – Encontrando-se os cônjuges ainda casados, por ocasião em que a co…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: MARIA CATARINA GONÇALVES
PROCEDIMENTO CAUTELAR
RESTITUIÇÃO PROVISÓRIA DE POSSE
ESBULHO
PERTURBAÇÃO DA POSSE
GRAVIDADE DA LESÃO
I – O esbulho – enquanto pressuposto necessário à procedência do procedimento cautelar de restituição provisória de posse – pressupõe a existência de um acto que prive o possuidor da posse que detinha, ou seja, um acto que lhe retira o poder de facto (de retenção/fruição) que detinha sobre a coisa e a possibilidade de o exercer. II – A mera colocação de umas fitas no local em que é exercida uma servidão de passagem que não impediu a continuação do uso da servidão pelo titular do direito, não …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: VÍTOR AMARAL
EXECUÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE FACTO FUNDADA EM SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DE ACORDO DE PARTILHA
ERRO NA FORMA DE PROCESSO
APROVEITAMENTO DE ACTOS PROCESSUAIS JÁ PRATICADOS
PROMESSA DE DOAÇÃO
EXECUÇÃO ESPECÍFICA
SANÇÃO PECUNIÁRIA COMPULSÓRIA
1. - Em caso de erro na forma de processo, no campo das nulidades processuais, mesmo imperando o princípio do máximo aproveitamento possível dos atos/processado, é líquido não poder aproveitar-se qualquer ato praticado de que resulte diminuição de garantias de defesa do demandado. 2. - São ainda configuráveis, por possíveis, situações de inidoneidade/inadequação absoluta da forma processual utilizada, âmbito em que a nulidade processual daí decorrente, de conhecimento oficioso, ocasiona a exti…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: MARIA JOÃO AREIAS
PROCESSO DE PROMOÇÃO E PROTEÇÃO
ACOLHIMENTO EM INSTITUIÇÃO COM VISTA À ADOÇÃO
AUDIÇÃO DA CRIANÇA
AUDIÇÃO EM PERÍCIA PSICOLÓGICA
MEDIDAS DE INTEGRAÇÃO EM FAMÍLIA
I – A audição da criança prevista nos termos dos arts. 4º e 5º, do RGPTC, sem limite etário – enquanto diligência tendente a apurar a sua opinião – é obrigatória, desde que se lhe reconheça capacidade para compreender os assuntos em discussão, tendo em atenção a sua idade e a sua maturidade. II – Antes de tomar qualquer decisão, provisória ou final, que a afete, o tribunal, ou procede à prévia audição da criança, ou profere despacho a expor os motivos pelos quais se afigura desaconselhável pr…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
CONDOMÍNIO
OCUPAÇÃO DE PARTES COMUNS
SANÇÃO PECUNIÁRIA COMPULSÓRIA
OBRIGAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE FACTO NEGATIVO E INFUNGÍVEL
OBRIGAÇÃO DURADOURA
I – Fixada sanção pecuniária compulsória relativamente aos atos praticados pela ré/recorrente que se referem ao uso/ocupação de logradouro que constitui parte comum de prédio constituído em regime de propriedade horizontal, em termos de abstenção da prática de factos perturbadores do exercício do direito de compropriedade das autoras/recorridas, estamos perante uma obrigação de prestação de facto negativo e infungível, justificando-se a condenação do devedor no pagamento de uma quantia pecuni…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: ALBERTO RUÇO
PROVIDÊNCIA CAUTELAR INOMINADA
UNIÃO DE FACTO
DIREITO A RESIDIR NA CASA DO FALECIDO COMPANHEIRO
PRAZO
I- Numa providência cautelar, apenas se tomam decisões provisórias e concretas aptas a afastar um perigo de lesão do direito invocado. II- O pedido de fixação do prazo, durante o qual a requerente poderá usar a casa do seu falecido companheiro, não se inclui neste tipo de finalidade própria da providência cautelar. III- É na ação principal, que conhece do direito em termos definitivos, que esse pedido deve ser formulado, apreciado e decidido.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: TERESA ALBUQUERQUE
QUALIDADE EM QUE O ADMINISTRADOR DA INSOLVÊNCIA REPRESENTA O INSOLVENTE EM JUÍZO
MASSA INSOLVENTE
LEGITIMIDADE DO ADMINISTRADOR DE INSOLVÊNCIA PARA REQUERER A ABERTURA DE INVENTÁRIO PARA A PARTILHA DA HERANÇA A QUE PERTENCE O QUINHÃO HEREDITÁRIO DE HERDEIRO INSOLVENTE
I - O administrador da insolvência, pese embora a norma do art 81º/4 do CIRE inculque o contrário, não atua em juízo como representante do insolvente, mas como parte, enquanto substituto processual daquele, recaindo a sua atuação no âmbito da substituição processual. II - A massa insolvente carece de legitimidade para requerer a abertura do inventário para partilha da herança a que pertence o quinhão hereditário que foi para ela apreendido na sequência da declaração de insolvência do herdeiro.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: LUÍS RICARDO
SEGURO AUTOMÓVEL
COBERTURA FACULTATIVA
EXCLUSÃO DA GARANTIA DO SEGURO
HABILITAÇÃO LEGAL PARA CONDUZIR
PROVA DO TÍTULO HABILITANTE
I – A habilitação, nos termos legais, para conduzir um veículo pesado de mercadorias apenas pode ser provada por documento. II – Não tendo sido apresentada, apesar de diligências probatórias realizadas nesse sentido, a Carta de Qualificação de Motorista, tem de concluir-se que o referido título não existe. III – É lícito à entidade seguradora recusar o pagamento do capital seguro com base numa cláusula, prevista no respectivo contrato, que exclui a responsabilidade, ao nível da cobertura facu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: PIRES ROBALO
COMPRA E VENDA DE VEÍCULO AUTOMÓVEL
DISPENSA DE AUDIÊNCIA PRÉVIA
VÍCIOS DA COISA VENDIDA/ADULTERAÇÃO DA QUILOMETRAGEM
CADUCIDADE
RECONHECIMENTO DO DIREITO
I - Numa ação de valor inferior a metade do valor da alçada da Relação, a realização da audiência prévia não é obrigatória, conforme decorre no art.º 598, do C.P.C. II - Nestas ações, findos os articulados, o juiz pode, consoante a necessidade e a adequação do ato ao fim do processo, designar audiência prévia ou, desde logo, proferir despacho, nos termos do art.º 595.º, n.º 1, do C.P.C., incluindo para decisão de mérito da causa, ou proferir despacho de adequação formal do processo, nos termo…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: MARIA TERESA COIMBRA
CONCLUSÕES DO RECURSO
REJEIÇÃO
A mera reprodução da motivação do recurso nas conclusões redunda na ausência de conclusões; a formulação de conclusões relativas a matéria não incluída na motivação equivale à ausência de motivação, que conduz à rejeição do recurso.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: FALCÃO DE MAGALHÃES
CONTRATO DE COMPRA E VENDA
COISA DEFEITUOSA
DENÚNCIA DOS DEFEITOS
ÓNUS DA PROVA
CADUCIDADE
I – Constitui defeito o facto de um veículo, vendido em estado de novo, descarregar as baterias, não funcionando o ar condicionado e sofrer de falta de insonorização no seu interior, designadamente quando se trata de veículo destinado ao transporte escolar de crianças. II – Nos termos do disposto no artigo 921.º, n.º 4, do Código Civil, a acção caduca logo que findo o tempo para a denúncia sem o comprador a ter feito, ou passados seis meses sobre a data em que a denúncia foi efectuada.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: TERESA ALBUQUERQUE
CONTRATO DE COMPRA E VENDA CONDICIONAL
SIMULAÇÃO
ARGUIÇÃO PELOS PRÓPRIOS SIMULADORES
PROVA
PROMESSA DE LIBERAÇÃO OU ASSUNÇÃO DE CUMPRIMENTO
I - A possibilidade legal que a lei confere aos simuladores de arguirem entre si a simulação – art 242º1 CC - resulta-lhes muito limitada em função dos meios de prova que para tanto lhes é legitimo utilizar, visto que estando o contrato titulado em documento autêntico ou particular lhes está vedado o recurso a testemunhas para a prova dessa simulação, nos termos do nº 2 e 3 do art 394º/1 CC, resultando-lhes igualmente vedada a prova por presunções judiciais, como advém do art 351º, pois que…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: FONTE RAMOS
RESPONSABILIDADE PELO RISCO
PROVEITO COMUM DO CASAL
LIMITES DA CONDENAÇÃO EM CASO DE PEDIDOS PARCELARES
LIQUIDAÇÃO POSTERIOR DOS DANOS
1. Em matéria de responsabilidade civil emergente de sinistro/acidente de viação causado por veículos automóveis, entre as situações geradoras de responsabilidade civil (e consequente obrigação de indemnizar), importa considerar aquela assente no risco inerente à condução de veículos de circulação terrestre e/ou riscos próprios do veículo (cf. art.ºs 503º, n.º 1 e 506º, n.º 1 do CC), se não enquadrável nos casos de “culpa” efetiva ou presumida (art.ºs 483º, n.º 1 e 503º, n.º 3, 1ª parte, do CC…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: FONTE RAMOS
REGULAÇÃO DAS RESPONSABILIDADES PARENTAIS
RELAÇÕES DOS MENORES COM OS AVÓS
DIREITO DE VISITA
1. Reconhecendo que as relações com os avós são da maior importância para os netos, em regra, quer pela afetividade que recebem (atenta a sua normal e especial referência afetiva para a criança), quer pelo desenvolvimento do espírito familiar que proporcionam, o legislador consagrou um direito de o menor se relacionar com os avós, que poderá ser designado por direito de visita - art.º 1887º-A, do CC. 2. Pretendeu-se tutelar a ligação de amor, de afeto, de carinho e de solidariedade existente e…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: CRISTINA NEVES
COMPETÊNCIA MATERIAL
RESTITUIÇÃO PROVISÓRIA DE POSSE
PARCELA INTEGRADA NO DOMÍNIO PÚBLICO MARÍTIMO
DETENTOR DA LICENÇA DE UTILIZAÇÃO
UTILIZAÇÃO PRIVADA
TRIBUNAIS COMUNS
A competência material para um procedimento cautelar de restituição provisória da posse de um armazém de aprestos, parcela integrada no domínio público marítimo, instaurado pelo detentor do alvará/licença de utilização contra um terceiro particular, com fundamento na prática de actos de esbulho violento, cabe aos tribunais comuns e não aos tribunais marítimos, por não se integrar em qualquer das alíneas previstas no art.º 113.º da LOSJ. (Sumário elaborado pela Relatora)
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: CARLOS MOREIRA
INVENTÁRIO PARA SEPARAÇÃO DE MEAÇÕES
ATENUAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO
REMESSA PARA OS MEIOS COMUNS
I - Apesar de o processo de inventário assumir fases nas quais os atos e decisões nelas previstos devem ser praticados/proferidas, tal não impede que, em abono de uma partilha justa, tais atos e decisões possam emergir noutras fases. II - Por via de regra, as vicissitudes que possam ocorrer no processo de inventário não impedem a continuação da sua tramitação, podendo, se necessário, e em função de factos relevantes supervenientes, a partilha ser retificada ou efetuada uma nova partilha. I…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 06 Fevereiro 2024
Relator: CRISTINA NEVES
PARTILHA ADICIONAL
EMENDA DA PARTILHA
DEVER DE COLAÇÃO
Intentada partilha adicional de bens em sede de inventário, proferida decisão transitada em julgado que considerou serem estes bens propriedade de um dos herdeiros por adquiridos por usucapião após doação dos inventariados, a improcedência deste incidente não obsta à dedução e apreciação de pedido de emenda da partilha já realizada, com fundamento na existência do dever de colação deste herdeiro. (Sumário elaborado pela Relatora)
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 31 Janeiro 2024
Relator: CÂNDIDA MARTINHO
PEDIDO CÍVEL
INTERVENÇÃO PRINCIPAL PROVOCADA
SEGURADORA
I- O incidente de intervenção não permite que a demandante substitua o demandado/arguido contra quem, por erro, formulou o seu pedido de indemnização civil. II- A Seguradora é quem, desde o início, tinha que ter sido demandada, inexistindo no caso, atento o valor do pedido, litisconsórcio necessário passivo. III- A ilegitimidade passiva singular é insanável ou insuprível, não podendo ser ultrapassada por via do incidente de intervenção provocada. (Sumário elaborado pela Relatora)
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 29 Janeiro 2024
Relator: TERESA SÁ LOPES
PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO PEDIDO RECONVENCIONAL EM PROCESSO LABORAL
FACTO JURÍDICO QUE SERVE DE FUNDAMENTO À AÇÃO
I - O pedido reconvencional laboral apenas é admissível com base no facto jurídico que serve de fundamento à ação. II - Tal não sucede, sendo a causa de pedir da ação interposta pelo Trabalhador a prestação do trabalho e o incumprimento do dever de pagar a retribuição, a título de férias e subsídio de férias e de natal que incumbe à sua Entidade empregadora e a causa de pedir da reconvenção deduzida por esta com base na cessação do contrato de trabalho por iniciativa do Trabalhador, no incumpr…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 29 Janeiro 2024
Relator: NELSON FERNANDES
INCIDENTE DE REVISÃO
POSSIBILIDADE DE CONDENAÇÃO EXTRA VEL ULTRA PETITUM
CONDENAÇÃO POR PERÍODOS DE INCAPACIDADES TEMPORÁRIAS ANTERIORES À DATA DE ENTRADA DO PEDIDO DE REVISÃO
I - No que se refere a pensões e indemnizações decorrentes de acidente de trabalho estamos, estando-se no âmbito da aplicação do regime expressamente previsto no artigo 74.º do CPT, tratando-se de direitos de natureza irrenunciável, pode/deve a condenação, a ser o caso, ir além do pedido, constituindo o regime nesse previsto uma exceção legal ao regime estabelecido no artigo 609.º do CPC, razão pela qual, por decorrência, a aplicação do disposto naquele, com a consequente condenação extra vel …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 29 Janeiro 2024
Relator: EUGÉNIA PEDRO
DESCARATERIZAÇÃO DO ACIDENTE DE TRABALHO
CULPA GRAVE
CAUSA JUSTIFICATIVA
PRESSUPOSTOS DO AGRAVAMENTO DA RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR
I - A descaracterização do acidente de trabalho com fundamento na violação pelo sinistrado das condições de segurança estabelecidas pelo empregador ou previstas na lei, a que se reporta a 2ª parte da alínea a) do nº1 do art. 14º da LAT é afastada quando ocorre causa justificativa, nos termos do nº 2 do mesmo preceito legal, e pressupõe uma actuação / omissão do sinistrado com culpa grave. II - A habitualidade ao perigo e o excesso de confiança na experiência profissional por parte do sinis…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 29 Janeiro 2024
Relator: ANTÓNIO LUÍS CARVALHÃO
ACORDO SOBRE APLICAÇÃO DO REGIME CONSTANTE DO CCT RELATIVO AO RESPECTIVO SETOR DE ATIVIDADE E PROFISSIONAL
CONSEQUÊNCIAS DA DERROGAÇÃO DA APLICAÇÃO PELOS SEUS SIBSCRITORES DESSE CCT
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E PRESCRIÇÃO
I - Atenta a natureza consensual dos contratos (incluído o contrato de trabalho) – art.º 405º do Código Civil –, nada obstará a que empregador e trabalhador, não havendo CCT aplicável, acordem que a regulação do contrato se faça por referência ao regime constante de CCT relativo ao respetivo setor de atividade e profissional, usufruindo, por essa via, o trabalhador das vantagens, e eventuais desvantagens, gerais decorrentes do regime do CCT escolhido. II - Porém, se o CCT em causa vier a ser c…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 26 Janeiro 2024
Relator: JOÃO ABRUNHOSA
GRAVAÇÃO DEFICIENTE
SENTENÇA
FUNDAMENTAÇÃO
NULIDADE
No caso de a deficiência da gravação da sentença proferida oralmente não permitir saber qual a respectiva fundamentação de facto e de direito, essa decisão é nula, por falta de fundamentação, nos termos do artigo 379.º, n.º 1, alínea a). do C.P.P. (Sumário elaborado pelo Relator)
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ISABEL FERREIRA
PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM
GARANTIA BANCÁRIA AUTÓNOMA
I – É possível recorrer a um procedimento cautelar para obstar ao accionamento de uma garantia bancária autónoma, quando esteja em causa uma manifesta actuação abusiva da beneficiária da garantia. II – Nesse caso, é exigível uma prova líquida e irrefutável do abuso. III – Tal prova pode ser obtida por todos os meios legalmente admissíveis, e não apenas mediante prova documental. IV – Não existe qualquer restrição no caso à produção dos meios de prova indicados pelas partes, devendo a apreciaçã…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: FRANCISCA MOTA VIEIRA
LETRA DE CÂMBIO
LETRA EM BRANCO
ÓNUS DA PROVA
I - A letra em branco é a letra a que falta algum dos requisitos prescritos no art.º 1.º da LULL, mas que incorpora, pelo menos, uma assinatura feita com a intenção de contrair uma obrigação cambiária. II - A sua admissibilidade resulta do art.º 10.º da mesma lei, passando o respetivo documento, desde que posteriormente preenchido nos termos do aludido art.º 1.º, a produzir todos os efeitos próprios da letra. III - A assinatura em branco faz presumir no signatário a vontade de fazer seu o tex…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA VIEIRA
DEVER DE COOPERAÇÃO
DEVER DE COLABORAÇÃO
VIOLAÇÃO DE DEVERES
I - Todas as pessoas, sejam ou não partes na causa, têm o dever de prestar a sua colaboração para a descoberta da verdade, respondendo ao que lhes for perguntado, submetendo-se às inspeções necessárias, facultando o que for requisitado e praticando os atos que forem determinados. II - O dever de cooperação tem expressa previsão no art. 417º do C.P.C. III - Só existe violação do dever de colaboração quando o visado tem conhecimento pleno do que a autoridade judiciária dele pretende e da comina…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA LUÍSA LOUREIRO
RESPONSABILIDADES PARENTAIS
INCUMPRIMENTO
FALTA DE CITAÇÃO
I - O processo de incumprimento das responsabilidades parentais comunga de uma natureza executiva. O mesmo é dizer que, por força do referido art. 33.º, n.º 1, do RGPTC e do art. 551.º, n.º 4, do Cód. Proc. Civil, são-lhe aplicáveis as disposições deste código respeitantes ao processo executivo. II - A falta de citação do requerido no processo principal de regulação do exercício das responsabilidades parentais pode ser conhecida no incidente de incumprimento do exercício das responsabilidades …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: PAULO DIAS DA SILVA
TUTELA DA PERSONALIDADE
COLISÃO DE DIREITOS
I - Em caso de conflito entre os "direitos, liberdades e garantias", não sujeitos a reserva da lei restritiva, com outros direitos fundamentais (direitos económicos, sociais e culturais, v.g.) devem prevalecer os primeiros. II - No campo da lei ordinária, há um texto atinente à colisão de direitos - o artigo 335º do Código Civil -, que, apesar de anterior à Constituição de 1976, se mantém em vigor, tendo em vista o disposto no artigo 293.º da Constituição. III - Na interpretação do artigo 335º…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ISOLETA DE ALMEIDA COSTA
LIVRANÇA
OPOSIÇÃO À EXECUÇÃO
INDEFERIMENTO LIMINAR
I - Numa ação executiva em que o titulo é uma livrança de que o exequente é legitimo portador a causa de pedir corresponde à invocação da relação cambiária documentada na referida livrança, não sendo necessário alegar a relação causal à mesma. (cf. o artigos.1º e 10º da LULL e o artigo 458º do CC). II - O indeferimento liminar da oposição à execução com base na sua manifesta improcedência (artigo 732º nº1 alínea c) do Código de Processo Civil) só deve ocorrer naqueles casos em que é evidente …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ISABEL SILVA
RESPONSABILIDADES PARENTAIS
DECISÃO PROVISÓRIA
VISITAS
GUARDA DE MENOR
I - O nosso sistema jurídico de recursos instituiu o modelo de reponderação da decisão recorrida, pelo que não pode em sede de recurso conhecer-se de questões não apreciadas (questões novas) pelo tribunal recorrido, com exceção das de conhecimento oficioso. II - Demonstrado que a progenitora tem obstaculizado ao convívio e aos contatos da menor com o progenitor, e tendo-a deslocado para um outro país (onde ia trabalhar) sem qualquer conversa ou satisfação ao pai, mostra-se adequado que, em sed…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ISABEL FERREIRA
RECLAMAÇÃO DA CONTA
A reclamação da conta versa sobre o erro de contagem e não sobre o eventual erro de julgamento que tenha ocorrido na decisão que condenou no pagamento de custas, não sendo aquela um meio idóneo a conseguir a alteração desta decisão.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA VIEIRA
DIREITO DE REGRESSO
PRAZO DE PRESCRIÇÃO
SUSPENSÃO DO PRAZO
I - O prazo de 3 anos de prescrição do direito de regresso tem o seu termo inicial na data em que for feito o pagamento da última parcela da indemnização, excepto quando a indemnização global possa ser fraccionada em núcleos normativamente diferenciados. II - A suspensão dos prazos de prescrição e de caducidade estabelecidas no âmbito das medidas excecionais e temporárias de resposta à pandemia da doença COVID-19, aplica-se aos prazos para instaurar ações ou procedimentos que evitem a prescriç…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: PAULO DIAS DA SILVA
IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DA MATÉRIA DE FACTO
LIVRE APRECIAÇÃO DA PROVA
I - Salvo quando a lei dispuser diferentemente, a prova é apreciada segundo as regras da experiência e a livre convicção da entidade competente. II - Contudo, a livre apreciação da prova, não se confunde, de modo algum com apreciação arbitrária da prova, nem com a mera impressão gerada no espírito do julgador pelos diversos meios de prova; a prova livre tem como pressupostos valorativos a obediência a critérios de experiência comum e da lógica do homem médio suposto pela ordem jurídica. III -…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ARISTIDES RODRIGUES DE ALMEIDA
PENHORA
EXECUÇÃO COMUM
EXECUÇÃO FISCAL
I - A aplicação do art. 794º, nº 1, do Código de Processo Civil pressupõe que seja possível a prossecução normal da execução na qual o bem duplamente penhorado foi primeiramente penhorado. II - Essa possibilidade não existe se a execução em que a penhora é mais antiga é uma execução fiscal e o bem penhorado é a casa de habitação própria e permanente do executado, porque nessa execução, por força do disposto no art. 244º do CPPT, a venda do bem é legalmente impossível, mesmo a requerimento de u…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA VIEIRA
PROCESSO DE INVENTÁRIO
SUCESSÃO DE LEIS NO TEMPO
RECURSO
Perante um inventário iniciado antes da data de entrada em vigor da Lei n.º 23/20213 de 5/3 que aprovou o novo regime jurídico do processo de inventário, mas a decisão recorrida já foi proferida na vigência do atual código de processo civil (Lei 41/2013, 26/6) e nessa medida o regime o regime a considerar quanto aos recursos é o existente no novo código de processo Civil (artigo 7 da Lei 41/2013).
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: MANUELA MACHADO
CONTRATO DE ARRENDAMENTO
SUCESSÃO DE LEIS NO TEMPO
TRANSMISSÃO DO DIREITO AO ARRENDAMENTO
TRANSMISSÃO DA POSIÇÃO DE LOCATÁRIO
I - O NRAU (Lei nº 6/2006, de 27-02) resolveu o problema da sua aplicabilidade aos contratos de arrendamento constituídos antes da sua entrada em vigor, mas vigentes nessa data, mediante uma disposição transitória, ao dispor no art. 59.º, nº 1, sob a epígrafe “aplicação no tempo”, que “o NRAU aplica-se aos contratos celebrados após a sua entrada em vigor, bem como às relações constituídas que subsistam nessa data, sem prejuízo do previsto nas normas transitórias”. II - Para que o art. 1068.º d…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA LUÍSA LOUREIRO
CONTRATO DE SEGURO
DECLARAÇÕES INEXATAS
CLAÚSULAS CONTRATUAIS GERAIS
ACRÉSCIMO DE TAXA DE JUSTIÇA
I - Se um facto não estiver controvertido nem carecido de prova, não integra o objeto da pronúncia sobre as questões de facto, não sendo abrangido pela instrução, integrando diretamente a fundamentação de facto da qual o tribunal se servirá na decisão de mérito. II - A possibilidade de uma parte invocar num processo meios de prova anteriormente produzidos num processo diferente (art. 421.º do Cód. Proc. Civil) apenas tem sentido quanto à prova constituenda gerada no primeiro processo. Tratando…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA LUÍSA LOUREIRO
IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DA MATÉRIA DE FACTO
ÓNUS DE ALEGAÇÃO
RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL
DANO DA MORTE DA VÍTIMA
I - A impugnação da matéria de facto não se destina a contrapor a mera convicção subjetiva da parte e do seu mandatário à convicção formada pelo tribunal, com vista à alteração da decisão. Destina-se, sim, à especificação dos “concretos meios probatórios, constantes do processo ou de registo ou gravação nele realizada, que impunham decisão sobre os pontos da matéria de facto impugnados diversa da recorrida” (art. 640.º, n.º 1, al. b), do Cód. Proc. Civil). II - Não pode o recorrente despejar …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA LUÍSA LOUREIRO
AUDIÊNCIA PRÉVIA
IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DA MATÉRIA DE FACTO
CONTRATO DE CONTA BANCÁRIA
I - A posição do réu perante o facto deve ser uma posição clara perante a verdade, tal como ela é alegada pelo autor. Por assim ser, não pode um réu despejar num enunciado diferentes fundamentos possíveis de impugnação (até incompatíveis entre si) e adjudicar ao tribunal a tarefa de os distribuir pertinentemente por cada uma das proposições de facto postas pelo autor. II - Não deve o réu dizer, usando um conceito jurídico polissémico, que “impugna o facto”; deve, sim, claramente, dizer se o fa…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA VIEIRA
IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DA MATÉRIA DE FACTO
REAPRECIAÇÃO DA PROVA
MANDATO
REVOGAÇÃO
I - A questão é essencialmente factual, passando por julgar a divergência na valoração da prova. II - Na reapreciação, não encontramos elementos convincentes para alterar o decidido. III - O mandato é livremente revogável por qualquer das partes, salvo se o mandato tiver sido conferido no interesse do mandatário ou de terceiro, caso em que não pode ser revogado pelo mandante sem acordo do interessado, salvo ocorrendo justa causa (artigo 1170.º, nos 1 e 2, do CCivil). IV - Para existir interess…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ARISTIDES RODRIGUES DE ALMEIDA
CONTRATO DE MEDIAÇÃO MOBILIÁRIA
REGIME DE EXCLUSIVIDADE
ABUSO DO DIREITO
I - Por a consequência do regime da exclusividade do contrato de mediação imobiliária, ao nível da remuneração, se encontrar fixada em norma legal imperativa, a comunicação e explicação do sentido dessa exclusividade ao abrigo do regime das cláusulas contratuais gerais deve considerar-se dispensada, inútil ou inócua na medida em que a ignorância da lei não aproveita a ninguém (artigo 6.º do Código Civil). II - Obtido pelo mediador um interessado no negócio, incide sobre o cliente o dever secun…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: PAULO DIAS DA SILVA
EMBARGOS DE TERCEIRO
EXTEMPORANEIDADE
I - É ao embargado que compete o ónus de provar, e, bem assim, de excecionar, a extemporaneidade dos embargos, como facto extintivo do direito de propor a ação, não incumbindo já ao embargante o ónus de prova da tempestividade dos embargos de terceiro, em fase contraditória. II - Provando-se que o imóvel foi penhorado e que em outubro de 2022 foi afixado edital na porta de acesso ao mesmo e que a executada desde 2020 aí passa todos os fins de semana, concluímos que o embargado logrou cumprir o…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: CARLOS PORTELA
RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL
RESPONSABILIDADE OBJECTIVA
CULPA DO LESADO
I - Atento o disposto no art.º 505.º CC, a responsabilidade objectiva do detentor do veículo só é excluída quando o acidente for devido (com culpa ou sem culpa) unicamente ao próprio lesado ou a terceiro, ou quando resulte exclusivamente de causa de força maior estranha ao funcionamento do veículo. II - Os beneficiários preferenciais desta responsabilidade são os peões, os ciclistas e outros utilizadores não motorizados das estradas, carecendo de especial protecção a este nível as crianças, os…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: CARLOS PORTELA
PROVIDÊNCIA CAUTELAR COMUM
PERICULUM IN MORA
DIREITO
PROBABILIDADE DA SUA EXISTÊNCIA
I - Nos termos do disposto no art.º 362º do Código de Processo Civil, o decretamento de uma providência cautelar comum depende da concorrência dos seguintes requisitos: a) a probabilidade séria da existência do direito invocado (fumus boni júris); b) o fundado receio de que outrem, antes de a acção ser proposta ou na pendência dela, cause lesão grave e dificilmente reparável a tal direito (periculum ín mora); c) a adequação da providência à situação de lesão iminente; d) a não existência de pr…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: CARLOS PORTELA
EMBARGOS DE EXECUTADO
MÚTUO BANCÁRIO
PRESTAÇÕES PERIÓDICAS
PRAZO DE PRESCRIÇÃO
De acordo com a mais recente jurisprudência fixada pelo Supremo Tribunal de Justiça é de aplicar ao crédito por mútuo bancário, a apagar em fracções de capital e juros remuneratórios, o prazo de prescrição de 5 anos previsto no art.º 310º do Código Civil, ainda que o crédito sobre as prestações se tenha antecipadamente vencido face ao incumprimento, nos termos do disposto no art.º 781º do mesmo código.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANTÓNIO PAULO VASCONCELOS
EMBARGOS DE EXECUTADO
RESOLUÇÃO DO CONTRATO
PRAZO ADMONITÓRIO
I - No título executivo, as partes consideravam que a divida confessada estava já há muito vencida e em mora. II - Desde outubro de 2021, data em que as partes celebraram o “Auto de Entrega” e que a Embargante, ora apelada, se reconheceu devedora da indicada quantia, até ao envio da carta de interpelação em 9 de junho de 2022. III - A circunstância da ora Apelada ter incumprido reiteradamente as suas obrigações para com o ora Apelante e, por força disso, o respetivo incumprimento se ter vindo …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANA LUÍSA LOUREIRO
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO
CONTRATO DE EMPREITADA
EXCEÇÃO DE NÃO CUMPRIMENTO DO CONTRATO
I - Para que a parte tenha a possibilidade de se pronunciar sobre os factos que sejam complemento ou concretização dos que tenham sido alegados, e resultem da instrução da causa (art. 5.º, n.º 1, al. b), do Cód. Proc. Civil), não é necessário que o juiz despache no sentido de, especial e expressamente, lhe ser dada a palavra para o efeito. Também não é forçoso que, para assegurar o respeito pelo princípio do contraditório, tenha de proferir despacho sinalizando às partes a relevância de tais f…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ANTÓNIO PAULO VASCONCELOS
CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PECUNIÁRIAS EMERGENTES DE CONTRATO
EXCEÇÃO DO CASO JULGADO
Por a decisão em crise se afigurar deficiente e obscura relativamente à matéria de facto (na verdade, é completamente omissa quanto aos fundamentos fácticos), impõe-se a sua anulação ao abrigo do disposto no artigo 662º, n.º 2 al. c) do CPC.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: FRANCISCA MOTA VIEIRA
IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DA MATÉRIA DE FACTO
ÓNUS DE ALEGAÇÃO
ACÇÃO DE REIVINDICAÇÃO
I -Se o apelante que pretende impugnar a decisão de facto limita-se a fazer uma impugnação em bloco, não conexionando cada facto individualizadamente (ou, pelo menos, grupos de factos que estejam em intimamente relacionados) com os concretos meios de prova que aduz, omitindo qualquer discurso argumentativo onde explicite de forma critica as concretas razões dos vícios que aponta a esse segmento da sentença recorrida, não dá satisfação ao ónus de especificação, de entre os constantes do process…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: PAULO DIAS DA SILVA
CONTRATO DE ARRENDAMENTO
OPOSIÇÃO À RENOVAÇÃO
RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA
I - A oposição à renovação é um direito potestativo que depende apenas da vontade de quem emite a declaração, sem precisar de invocar qualquer justificação e só opera para futuro. Como única condicionante, impõe-se-lhe apenas que respeite o período de aviso consignado na lei ou no contrato. II - Dispondo a nova redacção do artigo 1096.º, do Código Civil, introduzida pela Lei 13/2019 de 12.2, sobre o conteúdo da relação jurídica do arrendamento, e abstraindo a mesma do facto que lhe deu origem,…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: JOÃO VENADE
COMPETÊNCIA MATERIAL
AÇÃO POPULAR
O juízo central cível é competente em razão da matéria para preparar e julgar ação popular em que os Autores pedem o pagamento de uma indemnização, sustentado o pedido na venda de um produto a preço superior ao anunciado.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ARISTIDES RODRIGUES DE ALMEIDA
SENTENÇA ARBITRAL
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO
JUNÇÃO DE DOCUMENTOS
I - A sentença arbitral pode ser anulada se no processo arbitral foi violado o direito ao contraditório e essa violação teve influência decisiva na resolução do litigio. II - Para o efeito é suficiente que se demonstre que se não tivesse ocorrido a violação, provavelmente a decisão teria sido diferente. III - Ocorre violação do principio do contraditório quando o árbitro toma em consideração na sua decisão documentos juntos por uma parte sem que estes tenham sido notificados à parte contrária …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: JUDITE PIRES
COMPETÊNCIA MATERIAL
RECONHECIMENTO DE UNIÃO DE FACTO
É o juízo local cível – e não o juízo de família e menores - o tribunal competente, em razão da matéria, para apreciar e decidir das acções de reconhecimento judicial da situação de união de facto, para aquisição de nacionalidade portuguesa, a que se referem o artigo 3.º, n.º 3, da Lei n.º 37/81, de 3 de Outubro.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ISABEL PEIXOTO PEREIRA
NULIDADE POR OMISSÃO DE PRONÚNCIA
DESPACHO JUDICIAL
ATO JURÍDICO
VENDA EXECUTIVA
I - A nulidade por omissão de pronúncia só acontece quando o despacho deixa de decidir alguma das questões suscitadas pelas partes, as quais não se confundem com os argumentos, as razões e motivações produzidas pelas partes para fazer valer as suas pretensões. II - O despacho não deixa de se constituir como um acto jurídico não negocial, ao qual são aplicáveis, nos termos e para os efeitos do art. 295º do CC, as regras gerais da interpretação jurídica e, desde logo, a doutrina da impressão do …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ISOLETA DE ALMEIDA COSTA
RECLAMAÇÃO PARA A CONFERÊNCIA
I - O despacho proferido nos termos do disposto no artigo 1117º nº1 do Código de Processo Civil, referente à forma da licitação e à formação de lotes das verbas não licitadas para sorteio não tem que ver com o a determinação dos bens a partilhar ou a forma à partilha, constituindo decisão interlocutória situa-se na fase processual posterior à “decisão de saneamento do processo” a que alude o artigo 1110º, do Código de Processo Civil. II - Em tais termos não é uma decisão impugnável autonomame…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ARISTIDES RODRIGUES DE ALMEIDA
RECONVENÇÃO
PRECLUSÃO
ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA
I - A preclusão só se estende aos meios de defesa que o demandado podia opor aos direitos que o demandante exerce através da acção, não compreende direitos que o demandado pudesse deduzir contra o demandante, mesmo que a título de reconvenção. II - O direito à restituição por enriquecimento sem causa é distinto do direito de indemnização pela realização de benfeitorias em bem alheio, razão pela qual se não foi deduzido na primeira acção em que tal era possível, designadamente por via de reconv…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 25 Janeiro 2024
Relator: ISABEL SILVA
DECLARAÇÕES DE PARTE
COMODATO
DIREITO DE INDEMNIZAÇÃO
I - Segundo o entendimento maioritário, as declarações de parte reconduzem-se a um início de prova, a valer apenas como fator corroborante da prova de um facto, mas não sendo suficientes para estabelecer, por si só, qualquer prova. II - Nesta medida, as declarações de parte, principalmente quando referidas a factos que sejam favoráveis ao declarante só devem fundamentar a convicção do juiz quando corroboradas por outros meios de prova, ou regras de experiência, que lhes confiram um grau de con…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: LÍGIA FIGUEIREDO
CRIME DE TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES
DECLARAÇÃO DE PERDA DE OBJECTOS UTILIZADOS NA PRÁTICA DO CRIME
Do confronto do teor do artº 35º do DL. 15/93 de 22/1 com a redacção introduzida pela lei 45/96, de 3-9, com a norma do artº 109º nº1 do CP, resulta que deixou, de ser requisito do decretamento da perda do objecto, a perigosidade do mesmo para a segurança das pessoas ou a ordem pública ou a possibilidade de oferecer sério risco de ser utilizado para o cometimento de novos factos ilícitos, constante da redacção originária.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: JOSÉ QUARESMA
PERDÃO DE PENAS
APLICAÇÃO
CONCURSO DE PENAS "PERDOÁVEIS" E "NÃO PERDOÁVEIS"
A aplicação do perdão decorrente da Lei n.º 38-A/2023, de 02.08 a pena única que integre, na sua composição, penas parcelares pela prática de crimes excluídos do benefício não impõe a necessidade de nova audiência para reformulação do cúmulo já efetuado, por decisão transitada, conquanto, em resultado da operação, a parte perdoada na pena única não ultrapasse a parcelar não excluída do perdão e se mantenha um remanescente, após perdão, não conflituante com a moldura mínima do concurso.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: PEDRO M. MENEZES
ARGUIDO JULGADO NA AUSÊNCIA
NOTIFICAÇÃO PESSOAL DA SENTENÇA
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO
AUDIÇÃO DO ARGUIDO POR MEIOS DE COMUNICAÇÃO À DISTÂNCIA
I - Enquanto o arguido julgado na sua ausência ao abrigo do artigo 333.º, n.ºs 2 e 3, do Código de Processo Penal, não for pessoalmente notificado da sentença condenatória, o recurso interposto pelo seu defensor não deve ser admitido e, sendo-o, não pode ser objeto de apreciação pelo Tribunal Superior. II - Sendo, porém, o recurso interposto em tais circunstâncias (indevidamente) admitido pelo Tribunal, o respeito pelo direito ao recurso e a um processo que assegure todas as garantias de defes…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: MARIA JOANA GRÁCIA
CRIME DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
RELAÇÃO DE NAMORO
RELAÇÃO VIRTUAL
I - Apesar do seu sentido comum a relação deve ser concretizada com a descrição nos factos provados dos elementos identificadores da natureza da relação existente de modo a evitar um mero juízo valorativo. II - Uma relação amorosa não fortuita ou de carácter puramente sexual, onde a intimidade dos afectos está associada a alguma continuidade na ligação, é uma relação de namoro. III - Não deixa de manter a natureza de relação de namoro aquela que se inicia e se prolonga durante alguns meses ape…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: JOSÉ QUARESMA
CRIME DE FRAUDE FISCAL
AUTORIDADE DE CASO JULGADO
PRINCÍPIO NE BIS IDEM
I - A existência de condenações anteriores pela prática de crimes de abuso de confiança fiscal ou relativamente à Segurança Social, tendo por base montantes retidos e não entregues no pressuposto da existência de efetivas relações comerciais não impõe, em ulterior procedimento por fraude fiscal com emissão de faturas falsas, que se considere, por efeito do caso julgado, a existência material dos serviços e bens faturados. II – Para além de, no caso, inexistir identidade de objeto ou de sujeito…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: MARIA DO ROSÁRIO MARTINS
CRIME DE INJÚRIA
MANDATÁRIO
COAUTORIA
EXTINÇÃO DO DIREITO DE QUEIXA
I - Se dos autos não decorre que o crime de injúria foi praticado em comparticipação entre a mandante e o seu advogado, ao ter sido deduzida queixa por apenas contra a primeira, não se verifica a falta da condição de procedibilidade consignada no n.º 3 do artigo 115.º do CP. II - As concretas expressões escritas na missiva dirigida à assistente não revelam ser injustificadas ou desproporcionais face ao contexto em que as mesmas foram escritas e às razões que levaram a arguida a fazê-lo, não ul…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: MARIA JOANA GRÁCIO
LEI DA AMNISTIA
CÚMULO JURÍDICO
PERDÃO
PENA PARCELAR DE 6 MESES DE PRISÃO
I - Numa situação em que o cúmulo jurídico engloba penas que não beneficiam de perdão e uma pena que beneficia, sendo a pena única de 5 (cinco) anos de prisão, a pena mais elevada das parcelares de 1 (um) ano e 6 (seis) meses de prisão e a pena parcelar que beneficia de perdão de 6 (seis) meses de prisão, não se torna necessário refazer o cúmulo jurídico existente. II - Neste caso, basta excluir à pena única de 5 (cinco) anos de prisão 6 (seis) meses de prisão por aplicação do perdão, ficando …
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: PAULO COSTA
CRIME DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
PERIGO DE CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE CRIMINOSA
PERIGO DE PERTURBAÇÃO DA TRANQUILIDADE E ORDEM PÚBLICA
I - Existe perigo de continuação de atividade criminosa ter a arguida persistido de forma reiterada e praticamente contínua e maltratar psíquica e fisicamente o seu pai, revelando ela própria uma personalidade impulsiva e irascível. II - Impõe-se a proteção imediata da tranquilidade e ordem públicas, quando em razão do crime podem surgir reações tumultuosas, de vendeta coletiva desordenada e arbitrária, ou simplesmente o abatimento social pelo medo.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: MARIA DO ROSÁRIO MARTINS
CONTRAORDENAÇÃO LABORAL
PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DA IMPUGNAÇÃO JUDICIAL
IMPROCEDÊNCIA
IMPRORROGABILIDADE DO PRAZO
I - Ao prazo de impugnação judicial da decisão administrativa previsto no artigo 59º, n.º 3 do RGCO não é aplicável o regime previsto no artigo 279º, al. e) do CC. II - Os artigos 59º, n.º 3 e 60º, ambos do RGCO não violam o artigo 32º da CRP. III - Ao prazo de impugnação judicial da decisão administrativa não é aplicável o disposto no artigo 107º-A do CPP. IV- O artigo 107º-A do CPP não viola o artigo 32º, n.º 10 da CRP.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: LÍGIA FIGUEIREDO
CRIME DE COAÇÃO SEXUAL
ACTO SEXUAL DE RELEVO
LACUNA DE PUNIBILIDADE
I – Um apalpão na zona nadegueira da ofendida, efectuado de modo inesperado, ao mesmo tempo que o agente lhe cheira o pescoço e acompanhado de frases de natureza sexual, distancia-se de um simples ato sexual, constituindo um ato sexual de relevo. II – O nº1 do artº 163º do CP na redacção dada pela Lei n.º 101/2019, de 06 de Setembro deve ser interpretado no sentido de continuar a integrar o conceito de “sofrer”, interpretação que não viola o princípio da legalidade.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: RAÚL ESTEVES
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
DESPACHO DE APERFEIÇOAMENTO
Não é legalmente admissível a prolação de despacho a convidar o assistente a aperfeiçoar o Requerimento de Abertura de Instrução, ainda que o objeto desse convite seja por razões de sintetização ou de clarificação da sua motivação.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: RAÚL ESTEVES
LEI DA AMNISTIA
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA
A Lei n.º 38-A/2023, de 2 de agosto, referente ao perdão de penas e amnistia de infrações, não comporta interpretação extensiva. (Sumário da responsabilidade do relator)
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: LÍGIA FIGUEIREDO
VIOLAÇÃO DO DEVER DE PROPOR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE OU REDUÇÃO DO CAPITAL
ERRO SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS DE FACTO
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
I – O crime de Violação do dever de propor dissolução da sociedade ou redução do capital previsto e punido pelo art. 523º, do Código das Sociedades Comerciais apenas admite a modalidade dolosa, o que inclui o conhecimento da situação de perda de metade do capital social bem como consciência do dever previsto no artº 35º do CSC II –A falta de conhecimento do teor do artº 35º do CSC, não constitui erro sobre a ilicitude da conduta, previsto pelo o artº 17º do CP, mas antes incide sobre elementos…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: MARIA DO ROSÁRIO MARTINS
CRIME DE DESOBEDIÊNCIA
SUSPENSÃO PROVISÓRIA DO PROCESSO
ANTECEDENTES CRIMINAIS
MEDIDA DA PENA
A circunstância de o arguido ter beneficiado de uma suspensão provisória do processo em momento anterior aos factos dos presentes autos tal não releva para o efeito da escolha da pena ou da sua graduação, na medida em que o arguido não foi julgado pelos factos respectivos, beneficiando da presunção de inocência.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: PEDRO VAZ PATO
NULIDADE
FALTA DE NOTIFICAÇÃO
PROCURAÇÃO CONJUNTA
PRINCÍPIO DA CONFIANÇA
I – A circunstância de o assistente ter sido notificado na pessoa de uma advogada com procuração conjunta, que nunca foi revogada, não torna nula ou irregular essa notificação, mesmo que o outro advogado titular dessa procuração tenha requerido que essas notificações passassem a ser efetuadas na sua pessoa e que esse requerimento tenha sido deferido. II – Esse despacho criou uma expetativa e uma confiança que deve ser atendida à luz do princípio da segurança jurídica, previsibilidade e confian…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: PEDRO M. MENEZES
CRIME DE CONDUÇÃO EM ESTADO DE EMBRIAGUEZ
SUSPENSÃO PROVISÓRIA DO PROCESSO
PROIBIÇÃO DE CONDUÇÃO
PRINCÍPIO NE BIS IDEM
O acórdão de fixação de jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça n.º 4/2017 (publicado no Diário da República, I Série, n.º 115, de 16/06/2017), sobre o não desconto, na pena acessória correspondente, do período em que o arguido tenha cumprido, em sede de suspensão provisória do processo, a injunção de proibição da condução de veículo automóvel, não viola o princípio da proibição do bis in idem.
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: PAULA GUERREIRO
CRIME DE INJÚRIAS
INSINUAÇÃO
I - A expressão “querias mama” traduz-se num juízo de valor quanto ao comportamento da assistente, dado que a palavra mamar no dicionário Priberam da língua portuguesa existente online tem como significados informais ingerir com avidez, «Ficar indevida ou abusivamente com alguma coisa. = chular», enganar ou ludibriar e contende objetivamente com a honra do visado. II - A arguida, que não sofre de qualquer inabilidade, é casada e tem alguma escolaridade, não podia ignorar que com isso agia con…
Tribunal: Tribunal da Relação do Porto
Sessão: 24 Janeiro 2024
Relator: PEDRO M. MENEZES
MEDIDA DE COAÇÃO
PERIGO DE PERTURBAÇÃO DO DECURSO DO INQUÉRITO
I - Na avaliação das necessidades cautelares postas por um determinado caso, devem ser sempre tidas em consideração as possíveis especificidades – entre outras que se devam considerar relevantes – sociológicas, criminológicas e, em especial, psicológicas, associadas à infração criminal que esteja em causa, tanto no que concerne ao respetivo agente e à sua conduta, como à sua vítima e ao impacto que aquela possa ter sobre esta. II - Nas situações de violência doméstica, o ascendente que o agres…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 16 Janeiro 2024
Relator: MOREIRA DO CARMO
INDEMNIZAÇÃO ARBITRADA EM SENTENÇA CRIMINAL
ARRESTO PREVENTIVO CONVERTIDO EM PENHORA
INSOLVÊNCIA DO LESANTE
ENCERRAMENTO DO PROCESSO DE INSOLVÊNCIA POR INSUFICIÊNCIA DA MASSA
EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO
i) Se o crédito exequendo provém de indemnização arbitrada por sentença judicial, pela prática de um crime doloso de burla qualificada, praticado pela executada, e que originou um arresto preventivo depois convertido em penhora, saldo que não foi apreendido no processo de falência da mesma executada, por virtude dessa infracção criminal, nem a dívida da mesma executada pode ser objecto de exoneração do passivo, então encerrado o processo de insolvência, por insuficiência da massa, não há lugar…