Acórdãos Recentes
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: EMÍDIO FRANCISCO SANTOS
EXECUÇÃO ESPECÍFICA
NÃO CUMPRIMENTO
MORA
INCUMPRIMENTO DEFINITIVO
PRAZO
INTERPELAÇÃO
CITAÇÃO
I) Para efeitos de admissibilidade da execução específica é suficiente a mora no cumprimento da obrigação, não sendo necessária a conversão daquela em incumprimento definitivo. II) A parte cumpridora num contrato-promessa não pode obter através da execução específica um efeito jurídico que o promitente faltoso esteja impedido de produzir. III) Não pode considerar-se que não tenha prazo o contrato-promessa em que se clausulou que “… a escritura seria efectuada logo após estar toda a documentaçã…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: LUÍS CRAVO
SUSPENSÃO DA INSTÂNCIA
CAUSA PREJUDICIAL
I – Nos termos e para os efeitos de decretamento da suspensão da instância por causa prejudicial, nos termos do art. 272º do n.C.P.Civil, entende-se como causa prejudicial aquela onde se discute e pretende apurar um facto ou situação que é elemento ou pressuposto da pretensão formulada na causa dependente, de tal forma que a resolução da questão que está a ser apreciada e discutida na causa prejudicial irá interferir e influenciar a causa dependente, destruindo ou modificando os fundamentos e…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
INSOLVÊNCIA
CAUSA DE PEDIR
CASO JULGADO
INDEFERIMENTO LIMINAR
EXONERAÇÃO DO PASSIVO RESTANTE
I) A causa de pedir do processo de insolvência corresponde, por regra, ao concreto passivo e activo que exista em determinado momento temporal e à impossibilidade de o activo do devedor lhe permitir cumprir o passivo que nesse momento se encontra vencido. II) Decretada a insolvência do devedor num determinado processo por si impulsionado, a existência de uma nova causa de pedir necessária à instauração pelo mesmo devedor de um segundo processo de insolvência exige que o devedor tivesse consegu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ARLINDO OLIVEIRA
CONTRATO DE SEGURO
ACIDENTE DE VIAÇÃO
ABANDONO DO LOCAL DO ACIDENTE
AUTORIDADE POLICIAL
SEGURO AUTOMÓVEL FACULTATIVO
EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA
Constando das condições gerais de um contrato de seguro facultativo de responsabilidade civil automóvel que o contrato também não garantirá a situação em que o condutor do veículo, voluntariamente e por sua iniciativa, abandone o local do acidente de viação antes da chegada da autoridade policial, quando esta tenha sido chamada por si ou por outra entidade, essa exclusão de responsabilidade só ocorre se a autoridade policial já tiver sido chamada no momento do abandono.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: JOSÉ AVELINO GONÇALVES
EMBARGOS DE TERCEIRO
INSOLVÊNCIA
RESTITUIÇÃO E SEPARAÇÃO DE BENS APREENDIDOS PARA A MASSA INSOLVENTE
I) É legalmente inadmissível a dedução de embargos de terceiro como forma de reagir contra a apreensão de bens para a massa insolvente. II) Tal reacção deve fazer-se através da restituição e separação de bens apreendidos para a massa insolvente, a exercer por um dos mecanismos e nos prazos consagrados nos artigos 141.º, 144.º e 146.º do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresa (DL n.º 53/2004, de 18 de Março).
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: EMÍDIO FRANCISCO SANTOS
PROCESSO ESPECIAL PARA ACORDO DE PAGAMENTO
ENCERRAMENTO DO PROCESSO NEGOCIAL
ENCERRAMENTO DO PROCESSO ESPECIAL
DESISTÊNCIA DO DEVEDOR DAS NEGOCIAÇÕES
PARECER DO ADMINISTRADOR JUDICIAL PROVISÓRIO
CONTRADITÓRIO DO DEVEDOR
APRESENTAÇÃO À INSOLVÊNCIA POR PARTE DO DEVEDOR
I) São realidades jurídicas distintas o encerramento do processo negocial em processo especial para acordo de pagamento, por um lado, e o encerramento do processo especial para acordo de pagamento, por outro lado. II) O processo negocial encerra-se quando o devedor ou a maioria dos credores legalmente prevista concluam antecipadamente não ser possível alcançar acordo; com o decurso do prazo das negociações; com a desistência das negociações, por parte do devedor, antes do decurso de tal prazo.…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: HELENA MARIA MELO
COVID-19
PRAZOS
SUSPENSÃO
CADUCIDADE
PRESCRIÇÃO
ACÇÕES NOMINATIVAS
TRANSMISSÃO
I) Os prazos de prescrição e de caducidade já iniciados ou em curso à data da entrada em vigor da Lei 4-B/2021 ou que viessem a iniciar-se posteriormente foram suspensos, só se retomando a partir da data em que viesse a ser declarado o termo da situação excepcional de resposta à pandemia da Covid-19. II) A suspensão referida em I) foi estabelecida em benefício das partes que, todavia, a ela podiam renunciar. III) A suspensão dos prazos de prescrição e de caducidade referida em I) não deve ser …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FONTE RAMOS
PROVA POR DOCUMENTOS
DEVER DO JUIZ
1. A Relação só poderá/deverá alterar a decisão de facto se os factos tidos como assentes, a prova produzida ou um documento superveniente impuserem decisão diversa (art.º 662º, n.º 1, do CPC de 2013). 2. Os documentos não são factos, mas simples meios de prova dos factos alegados. 3. Em cumprimento do disposto no art.º 607º, n.ºs 3, 1ª parte e 4, do CPC, deverá o juiz indicar expressamente os factos provados pelos documentos, não bastando “dar como reproduzidos” os documentos ou realizar uma…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FONTE RAMOS
PENHORA
PRIVILÉGIO CREDITÓRIO
SUA CUMULAÇÃO PROCESSUAL
1. O credor reclamante por penhora posterior nos mesmos bens em execução própria, além da garantia dessa penhora, pode invocar o privilégio creditório que com ela se tornou operativo. 2. A penhora posterior concretiza a eficácia dos privilégios que se constituíram após a primeira penhora, atribuindo-lhe a lei especial relevância processual e substantiva (cf., v. g., art.ºs 733º, 788º, n.ºs 3 e 5 e 794º do CPC e 179º, n.º 1 do CPPT).
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ALBERTO RUÇO
PROCESSO TUTELAR CIVIL
PRINCÍPIO DO SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA
SUSPENSÃO DE CONTACTOS DO FILHO COM O PAI
AUDIÇÃO DO MENOR
I – Existindo acórdão do Tribunal da Relação, com recurso interposto para o Supremo Tribunal de Justiça, que imputa ao arguido factos que integram a autoria material de oito crimes de abuso sexual sobre a sua filha, com 4 anos de idade à data dos factos, tal factualidade pode ser levada em consideração num processo tutelar cível (Lei n.º 141/2015, de 08 de setembro), apesar do princípio da presunção de inocência do arguido consagrado no artigo 32.º da Constituição da República. II – Nesta situ…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: MÁRIO RODRIGUES DA SILVA
EXAME MÉDICO-LEGAL
ASSISTÊNCIA DE ASSESSOR TÉCNICO INDICADO PELA PARTE
A lei nº 45/2004, de 19 de agosto, não impede que uma parte, em processo civil, nomeie assessor técnico a fim de assistir a um exame médico legal.
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO PIRES ROBALO
DOAÇÃO
ONERAÇÃO COM ENCARGOS
CLÁUSULA MODAL
ALTERAÇÕES
SUA NÃO APLICAÇÃO A BENEFICIÁRIO QUE AS NÃO RATIFICOU EM ESCRITURA PÚBLICA
I – Face ao disposto no art.º 945º do C. Civil verifica-se que a doação é um contrato ou negócio jurídico bilateral, que pressupõe duas vontades negociais, a “proposta de doação” e a “aceitação”, caducando a primeira se a segunda não ocorrer em vida do doador. II - O art.º 963.º do C.C. dispõe que “as doações podem ser oneradas com encargos”. Significa isso que na doação, tal como noutros negócios jurídicos que constituem liberalidades (cfr. art.º 2244º do mesmo código), as partes podem apôr…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: VÍTOR AMARAL
PRIVAÇÃO DO USO DE VEÍCULO AUTOMÓVEL
INDEMNIZAÇÃO
EQUIDADE
1. - Salvo quanto a matérias de conhecimento oficioso, os recursos destinam-se a reexaminar questões já anteriormente apreciadas no processo e não a produzir decisões ex novo. 2. - A equidade, como justiça do caso, mostra-se apta a temperar o rigor de certos resultados de pura subsunção jurídica, na procura da justa composição do litígio, fazendo apelo a dados de razoabilidade e equilíbrio, tal como de normalidade, proporção e adequação às circunstâncias concretas, sem cair no arbítrio. 3. - A…
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: VÍTOR AMARAL
CONTRATO DE SEGURO
DECLARAÇÃO INICIAL DO RISCO
BOA FÉ
ÓNUS DE ALEGAÇÃO E DE PROVA
ANULAÇÃO DO CONTRATO
1. - O dever pré-contratual de declaração inicial do risco, a cargo do tomador do seguro ou segurado/aderente – previsto no art.º 24.º do RJCS, aprovado pelo Dec.Lei n.º 72/2008, de 16-04 (e anteriormente no art.º 429.º do CCom.) –, incide sobre todas as circunstâncias conhecidas do declarante (e só essas), desde que relevantes para a apreciação do risco. 2. - Cabe ao réu, defendendo-se, por via de exceção, mediante a invocação do incumprimento daquele dever e consequente invalidade (no caso, …
Tribunal: Tribunal da Relação de Coimbra
Sessão: 23 Novembro 2021
Relator: FERNANDO MONTEIRO
CITAÇÃO
PRESUNÇÃO ILIDIVEL
ÓNUS DE PROVA
I - Os artigos 233º, nº 4 e 238º, nº 1, do anterior Código de Processo Civil (com equivalentes nos atuais 225º, nº4 e 230º, nº1) estabelecem uma presunção ilidível, cumprindo ao citando demonstrar que a morada para onde foi enviada a carta não é a sua residência e que o seu não conhecimento se ficou a dever a facto que não lhe é imputável. II - A presunção é por natureza falível. A sua força persuasiva pode, por isso mesmo, ser afastada por simples contra prova. III - No caso, pelo conjunto de…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ANTERO VEIGA
AUTO DE NOTÍCIA
DILIGÊNCIA DE INSTRUÇÃO
ERRO SOBRE A ILICITUDE
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
PRAZO DE INSTRUÇÃO
NULIDADE
TAXA DE JUSTIÇA
O auto de notícia reporta-se a infração(ões) que o autuante tenha pessoalmente constatado, seja por perceção direta no momento da ocorrência, seja por perceção mediata mediante verificação documental ou outra. O artigo 16.º do RPACOLSS não pretende limitar o agente autuante quanto aos elementos que fundam as suas perceções, visando apenas os atos posteriores do procedimento. Considerações jurídicas interpretativas sobre elementos a que o autuante teve acesso não inquinam o auto. O valor proba…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: MARIA LEONOR CHAVES DOS SANTOS BARROSO
CONTRA-ORDENAÇÃO LABORAL
RECURSO EXCEPCIONAL PARA A RELAÇÃO
I - Sendo aplicada uma coima igual/inferior a 25uc desacompanhada de condenação em sanção acessória, no regime das contra-ordenações laborais não é admissível recurso, excepto se, sob requerimento do arguido ou do Ministério Público, se afigure que tal é manifestamente necessário à melhoria da aplicação do direito ou à promoção da uniformidade da jurisprudência – 49º/2, RPCOLSS. II - A “melhoria da aplicação do direito” pressupõe um erro de direito extremamente grosseiro ou calamitoso. A “pro…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: ALDA MARTINS
TRIBUNAL DO TRABALHO
COMPETÊNCIA MATERIAL
CONTRATO DE TRABALHO
CONTRATO DE TRABALHO EM FUNÇÕES PÚBLICAS
Invocando o autor uma relação de trabalho regulada pelo regime do Código do Trabalho e não pela Lei Geral do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, é competente para conhecer da acção respectiva o tribunal do trabalho e não o tribunal administrativo, ainda que o réu seja uma pessoa colectiva de direito público. Alda Martins
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: MARIA LEONOR CHAVES DOS SANTOS BARROSO
PROCESSO DE ACIDENTE DE TRABALHO
FORMAS DA FASE CONTENCIOSA
I - No processo de acidente de trabalho, a redução da fase contenciosa à sua tramitação mais simples, com mera realização de perícia por junta médica, seguida de decisão sintética, só tem lugar quando a única questão controvertida seja a fixação da incapacidade para o trabalho. II - Não havendo acordo quanto a outras questões, designadamente quanto à ocorrência de lesão e nexo de causalidade entre o evento e a lesão/sequela e incapacidade para o trabalho, a fase contenciosa não pode iniciar-s…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 18 Novembro 2021
Relator: VERA SOTTOMAYOR
ACIDENTE DE TRABALHO
REVISÃO
JUNTA MÉDICA
IPATH
I - A fixação de uma pensão, como consequência de determinada incapacidade para reparação de lesão ou doença sofrida pelo trabalhador em acidente de trabalho, não é definitiva, podendo ser assim revista e alterada – art.ºs 70 da NLAT e 145.º do CPT. desde que se prove a modificação da capacidade de ganho do sinistrado proveniente do agravamento das lesões sofridas. II- Os factos que estão cobertos pelo caso julgado não podem ser alterados por via do incidente de revisão de incapacidade. III -…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 17 Novembro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
PEDIDO CIVIL EMERGENTE DA PRÁTICA DE CRIME
REMESSA DAS PARTES PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
1. O juiz só poderá remeter as partes de pedido cível enxertado no processo penal para os tribunais cíveis, nos termos previstos no artigo 82.º, § 3.º CPP, se razões poderosas do julgamento da causa cível o impuserem ou verificando-se circunstância que possa retardar intoleravelmente o julgamento da causa penal. 2. Na ponderação a efetuar o juiz não poderá deixar de equacionar os prejuízos que de tal remessa poderão advir para as vítimas do crime, nomeadamente o desperdício de tempo e de meios…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: MARIA DOS ANJOS NOGUEIRA
DANO BIOLÓGICO
VALOR INDEMNIZATÓRIO
EQUIDADE
DANOS NÃO PATRIMONIAIS
I – O dano biológico, porque incidente sobre o valor humano, em toda a sua dimensão, em que o bem saúde é objecto de um autónomo direito básico absoluto, deve ser reparado mesmo que a afectação da pessoa do ponto de vista funcional não se traduza em perda efectiva do rendimento do trabalho. II - Nos casos, em que não há diminuição do estatuto remuneratório profissional, a perda relevante de capacidades funcionais – mesmo que não imediata e totalmente reflectida no valor dos rendimentos pecuni…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO FIGUEIREDO DE ALMEIDA
ARROLAMENTO
PERICULUM IN MORA
1) O arrolamento consiste na descrição, avaliação e depósito de bens litigiosos e tem por fim evitar o extravio ou a dissipação dos bens; 2) A situação de periculum in mora no arrolamento, deve ser perspetivado objetivamente, e apresentar-se com um fundamento real que não corresponda a uma mera fantasia do requerente.
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ALEXANDRA ROLIM MENDES
AÇÕES DE VALOR NÃO SUPERIOR A METADE DA ALÇADA DA RELAÇÃO.
AUDIÊNCIA PRÉVIA
ALTERAÇÃO DO REQUERIMENTO PROBATÓRIO
1 - Nas ações de valor não superior a metade da alçada do tribunal da Relação, não é obrigatório convocar a audiência prévia, cabendo ao juiz titular do processo, fazê-lo ou não, consoante o considere adequado. 2 - Assim, se tal audiência não tiver sido convocada, optando o juiz logo por alguma das hipóteses previstas nas al. f) ou g), as partes não podem proceder a alterações nos requerimentos probatórios que tenham apresentado, sem prejuízo do disposto no nº 2 do art. 598º e nº 3, ou do ar…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: RAQUEL BATISTA TAVARES
RATIFICAÇÃO DE EMBARGO DE OBRA NOVA
IMPUGNAÇÃO DA MATÉRIA DE FACTO
ÓNUS
FACTOS JURÍDICOS
FACTOS CONCLUSIVOS
BALDIOS
LEGITIMIDADE
LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ
I - Não se deve proceder à reapreciação da matéria de facto quando a alteração nos termos pretendidos pelos Recorrentes, tendo em conta as específicas circunstâncias em causa, não tenha qualquer relevância jurídica, sob pena de, assim não sendo, se estarem a praticar atos inúteis, que a lei não permite. II - Para que o embargo judicial (e a ratificação do embargo extrajudicial) de obra nova) possa ser decretado é necessária a verificação cumulativa dos seguintes requisitos: execução de uma ob…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ANA CRISTINA DUARTE
IMPUGNAÇÃO DA MATÉRIA DE FACTO
ÓNUS
DECLARAÇÕES DE PARTE
INTERMEDIÁRIO FINANCEIRO
CADUCIDADE
PRESCRIÇÃO
VALOR DA INDEMNIZAÇÃO
1 - O artigo 640.º, n.º 1 do CPC exige que se aponte de forma clara e inequívoca os pontos da matéria de facto dos quais se discorda, as razões da discordância e a decisão que deve ser proferida sobre cada uma das questões de facto impugnadas. 2 - Não é admissível uma impugnação genérica e global da matéria de facto julgada em primeira instância, estando vedado ao apelante, pura e simplesmente, discordar dos factos provados, entendendo que devem transitar para os factos não provados e, ao con…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: JOSÉ CRAVO
EMBARGOS DE EXECUTADO
NULIDADE DE SENTENÇA
COMPENSAÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE
LEI Nº. 4-A/2020 DE 6/4
LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ
I – O juiz deve resolver todas as questões que as partes tenham submetido à sua apreciação, excetuadas aquelas cuja decisão esteja prejudicada pela solução dada a outras (cfr. art. 608º/2 do CPC). II – Em sede de oposição à execução, a compensação só constitui fundamento válido desde que se alicerce em documento revestido de força executiva. III – De harmonia com o disposto no art. 751º/4, a) do CPC, o executado pode requerer, no prazo da oposição à penhora, a substituição dos bens penhorados…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 11 Novembro 2021
Relator: ALCIDES RODRIGUES
CONTRATO DE SEGURO DE GRUPO
CONTRIBUTIVO
RAMO VIDA
CONTRATO DE ADESÃO
CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS
DECLARAÇÃO INICIAL DE RISCO
DEVER DE INFORMAÇÃO E ESCLARECIMENTO
BOA FÉ CONTRATUAL
I - O contrato de seguro de grupo – com definição legal no art. 76º do Dec. Lei n.º 72/2008, de 16/04 (RJCS) – apresenta uma particular estruturação na sua formação por se estabelecer em dois momentos distintos: (i) num primeiro momento, a fase estática – de celebração do contrato entre a seguradora e o tomador do seguro; e (ii) num segundo momento, a fase dinâmica – em que o tomador do seguro promove a adesão ao contrato junto dos membros do grupo, constituindo-se uma relação triangular entr…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: ISABEL DUARTE
TRÂNSITO EM JULGADO
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CRIMINAL
A noção de trânsito em julgado mostra-se contida no artigo 628° do Código de Processo Civil (art.º 677.º CPC 1961) aplicável ex vi do artigo 4° do Código de Processo Penal, segundo o qual "a decisão considera-se passada ou transitada em julgado, logo que não seja susceptível de recurso ordinário, ou de reclamação nos termos dos artigos 668° e 669°". Transitada em julgado a decisão que não admita o recurso para o Tribunal Constitucional ou lhe negue provimento, transita também a decisão recorri…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 09 Novembro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
ALTERAÇÃO DA MEDIDA DE COAÇÃO
VIOLAÇÃO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
RECUSA DA FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES IMPOSTAS
Uma coisa é a violação das obrigações impostas propriamente ditas (a obrigação de não permanecer nas imediações da residência e do local de trabalho da ofendida e em qualquer outro local por esta frequentado, e a obrigação de não contactar por qualquer forma com a ofendida), outra coisa é a recusa da fiscalização do cumprimento de tais obrigações mediante sistema de vigilância electrónica, e, estando em causa nos autos o incumprimento desta última, tal não é de molde a justificar, por si só (o…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: PAULO SERAFIM
FRAUDE FISCAL QUALIFICADA
PRESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CRIMINAL
CASO JULGADO SOB CONDIÇÃO RESOLUTIVA
I – O disposto no nº3 do art. 21º do RGIT, que determina que o prazo de prescrição do procedimento criminal é reduzido ao prazo de caducidade do direito à liquidação da prestação tributária quando a infração depender daquela liquidação, é inaplicável ao crime de fraude fiscal (no caso, qualificado), porquanto a consumação deste tipo de ilícito não depende de qualquer ato de liquidação do imposto, uma vez que, sendo legalmente configurado como um crime de perigo, não exige a causação de prejuí…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: TERESA BALTAZAR
PERDA DE VANTAGENS DO CRIME
CARÁCTER OBRIGATÓRIO DA DECLARAÇÃO DE PERDA DE VANTAGENS
I - O instituto da perda de vantagens decorrentes do facto ilícito típico está construído como sendo uma providência destinada a impedir a manutenção de situações patrimoniais antijurídicas, satisfazendo assim finalidades de prevenção especial e geral, dando-lhe, por conseguinte, a feição de um expediente semelhante ou análogo à medida de segurança. II- Verificados os necessários pressupostos legais, a perda da vantagem decorrente da prática do crime terá de ser decretada sempre, e também se…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: ANTÓNIO TEIXEIRA
REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA PENA
AUDIÇÃO DO CONDENADO
IMPOSSIBILIDADE DE AUDIÇÃO POR RAZÕES IMPUTÁVEIS AO PRÓPRIO CONDENADO
I - Como claramente se extrai da conjugação dos Artºs. 32º, nº 5, da Constituição da República Portuguesa, e 61º, nº 1, al. b), do C.P.Penal, o despacho de revogação da suspensão da execução da pena de prisão sujeita a regime de prova é em regra precedido obrigatoriamente de audição pessoal e presencial do arguido, tanto mais que Artº. 495º, nº 2, do C.P.Penal, consigna expressamente que o condenado seja ouvido “na presença do técnico que apoia e fiscaliza o cumprimento das condições da suspe…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: FÁTIMA FURTADO
CRIME DE BURLA
ILÍCITO CIVIL
DOLO IN CONTRAHENDO
I. São elementos típicos do crime de burla simples: - A «astúcia» empregue pelo agente; - O «erro ou engano» da vítima devido ao emprego da astúcia; - A «prática de atos» pela vítima em consequência do erro ou engano em que foi induzida; - O «prejuízo patrimonial» da vítima ou de terceiro, resultante da prática dos referidos atos; - Nexo de causalidade adequada entre os quatro elementos referidos nas quatro alíneas antecedentes, através de sucessivas relações de causa e efeito, ou seja, que d…
Tribunal: Tribunal da Relação de Guimarães
Sessão: 08 Novembro 2021
Relator: TERESA COIMBRA
REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA PENA
CRIME DE BURLA
REPARAÇÃO DO MAL DO CRIME
AVALIAÇÃO DAS RAZÕES DO INCUMPRIMENTO
1. A um arguido condenado pela prática de um crime de burla numa pena de prisão suspensa com a condição de devolver aos burlados o dinheiro com que ilicitamente se locupletou, deve exigir-se que sinta como obrigação primeira o cumprimento da condição imposta. 2. Se, findo o prazo concedido para o efeito e sucessivamente prorrogado por força de justificações apresentadas, se constata que a quantia não foi devolvida e que as justificações carecem de seriedade, deve a suspensão ser revogada. 3. …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CRIME DE TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES
OPC COMPETENTE
MEDIDAS CAUTELARES
CONVERSA INFORMAL
I - Para se poderem equacionar as consequências processuais desvaliosas mencionadas na conclusão de recurso (nulidade) para a decisão subsequente sobre as medidas de coacção, deve estar inequivocamente estabelecido um nexo relacional e causal entre o conteúdo da “conversa informal” com um suspeito / arguido e o teor do respectivo depoimento, ou seja, que se leve expressamente em consideração tal depoimento. II – Se estivermos perante um fortemente indiciado crime de tráfico de estupefacientes,…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
ABERTURA DE INSTRUÇÃO
NOTIFICAÇÃO PARA DEBETE INSTRUTÓRIO
NULIDADE
IRREGULARIDADE
Nos presentes autos o Ministério Público imputou aos arguidos a prática do crime de tráfico de estupefacientes p. e p. pelo art.º 21.º do DL 15/93 de 22.01, sendo que o fez em autoria simples e individual, isto é, aos arguidos não foi imputada nem a co-autoria do crime nem a atuação em grupo. O arguido CL foi acusado em autoria material do crime de tráfico de estupefacientes, não requereu a instrução e a factualidade descrita na acusação não integra qualquer das situações previstas no artº 24º…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOÃO AMARO
RELATÓRIO SOCIAL
TRABALHO A FAVOR DA COMUNIDADE
Não é nesta fase recursiva que o recorrente podia (e devia - se assim o considerasse seriamente -) discutir o conteúdo do “relatório social”. Na verdade, o recorrente teve pleno conhecimento do “relatório social” em questão, e teve, consequentemente, a oportunidade de sobre ele se pronunciar na audiência de discussão e julgamento, designadamente tendo tido, então sim, a oportunidade de requerer o que tivesse por conveniente a esse propósito, o que não fez. Por outras palavas: o “relatório soci…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
CASO JULGADO FORMAL
Se um despacho acolhe promoção do MP e ordenou a certificação do trânsito em julgado da sentença condenatória relativamente a um arguido, reconhecendo, implicitamente, esse mesmo trânsito em julgado, está precludida a hipótese de proferir nos mesmos autos despacho posterior, onde se afirma que a sentença ainda não transitou em julgado quanto ao mesmo arguido, por existência de caso julgado formal.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: EDGAR VALENTE
NATUREZA URGENTE DO PROCESSO
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
TEMPESTIVIDADE
I – É incorrecto fazer alterar a natureza do processo (fazendo cessar a natureza urgente) meramente a partir da interpretação do requerimento para abertura da instrução e do seu recorte quanto aos crimes pelos quais se pretende a respectiva pronúncia, sem que exista qualquer decisão judicial que sancione tal entendimento. II - A ser admissível este entendimento, nestes casos, a tempestividade do requerimento para abertura da instrução nunca estaria assegurada à partida, dependendo de um eventu…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO CIVIL
REMESSA PARA OS TRIBUNAIS CIVIS
Na situação em apreço, o Tribunal a quo fundou o reenvio do conhecimento da acção cível enxertada na circunstância da tramitação do incidente de habilitação de herdeiros comprometer de forma intolerável o normal andamento do processo criminal, a descoberta da verdade material e o “restabelecimento da paz jurídica do arguido e da comunidade”. Ressalvado sempre o devido respeito por diferente entendimento, não acompanhamos o argumentário da decisão recorrida. Não só a habilitação de herdeiros se…
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: JOSÉ SIMÃO
CRIME DE FURTO
CRIME DE NATUREZA SEMI-PÚBLICA
INEXISTÊNCIA DE QUEIXA
INADMISSIBILIDADE LEGAL DO PROCEDIMENTO
Apesar de ter havido uma intenção ilegítima de apropriação de coisa alheia e a execução de tal intento através da subtração da mesma, não se provaram os meios previstos no artº 210º do C. Penal para levar a cabo a subtração que são: a) a violência contra uma pessoa; b) a ameaça com perigo iminente para a vida ou a integridade física ou; c) pondo essa pessoa na impossibilidade de resistir, pelo que os factos não integram aquele crime, mas o de furto previsto no artº 203º nº 1 do C.Penal. Este …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MARIA FILOMENA SOARES
REQUERIMENTO DE ABERTURA DA INSTRUÇÃO
ASSISTENTE
DESCRIÇÃO DOS FACTOS
A exigência da descrição dos factos no requerimento de abertura de instrução pelo assistente radica na circunstância de este, partindo de um despacho de arquivamento do inquérito, dever fixar o objeto do processo, dentro do qual se moverá a atividade do juiz de instrução a quem é vedado alterar os factos alegados, fora das exceções previstas no artigo 303º, nº 1, do Código de Processo Penal. O requerimento de instrução é a base factual dentro da qual se moverá o contraditório, o exercício do …
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
DECLARAÇÕES PARA MEMÓRIA FUTURA
ESTATUTO DA VÍTIMA E VÍTIMAS ESPECIALMENTE VULNERÁVEIS
I. A tutela dos interesses da vítima e da testemunha especialmente vulnerável no processo penal implica exceção ao regime regra da concentração da produção da prova na audiência. II. O seu depoimento deverá prestar-se o mais brevemente possível, sendo as declarações para memória futura o melhor instrumento para conjugar as finalidades processuais e evitar a vitimização secundária.
Tribunal: Tribunal da Relação de Évora
Sessão: 12 Outubro 2021
Relator: MOREIRA DAS NEVES
REEXAME DOS PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA
No artigo 213.º CPP preconiza-se um direito de audição do arguido sobre a manutenção ou alteração dos pressupostos da prisão preventiva ou da obrigação de permanência na habitação, o qual não implica (ou não implica necessariamente) o direito de audiência – isto é do direito de este se pronunciar na presença do juiz.